Graças ao Orkut, outro dia eu reencontrei um amigo de longa data, que não via desde os tempos de colegial. Fomos assistir a um jogo num bar da Vila Madalena, tomar chope e jogar conversa fora. Tivemos uma certa dificuldade em nos reconhecer devido aos longos anos passados.
- Poxa, você mudou hein?
- É, você também. Mudou demais.
Éramos da parte esquisita da classe. Os CDF´s, os mais feios, os mais estranhos, aqueles que praticavam horrivelmente qualquer esporte, os que não tocavam instumento nenhum, ou seja, os que não faziam sucesso com mulher nenhuma. Foi desde aquela época que eu percebi o valor de uma piada para fazer uma mulher sorrir. Como dizia o meu avô, o velho Stan: “Se não és belo, seja engraçado.” Mas ele tinha mudado desde então. Enquanto eu só engordei e continuava estranho, ele tinha ficado igualzinho ao Giba, jogador da seleção masculina de vôlei. Tanto que seu apelido de uns anos para cá era exatamente Giba.
- É rapaz, não posso reclamar. Esse negócio de ser clone do Giba só me dá alegria. A mulherada vem fácil. – confidenciou.
- Ah, duvido. Essa eu quero ver. – desafiei. Eu sabia que ele tava falando a verdade, mas nada como aproveitar essa vantagem dele um pouquinho também né?
- Então peraí que você já vai ver. Ta vendo aquelas duas sozinhas naquela mesa ali? – e apontou com o nariz meio que proeminente característico de Giba. Estão olhando para cá há tempos.
Eu me virei discretamente e confirmei que elas estavam sim olhando para nossa mesa de forma deveras interessada. E, sem sombra de dúvida, não era por minha causa.
- Vou lá buscar as duas para sentarem aqui com a gente.
Meu amigo de colegial, ex-estranho, agora “Giba”, levantou e foi. Meu amigo de colegial, ex-estranho, agora “Giba”, conversa um pouco com as duas e, em minutos, aparece na mesa acompanhado de ambas. Eu juro que eu ouvi a voz do Galvão gritando Giba neles!, ou melhor, Giba nelas! quando uma delas, com um sorrisão enorme, disse “oi”.
Começamos os quatro a conversar e descobri que esse negócio de dupla funcionava bem mesmo! Ele trazia e eu entretia, simpático ao extremo. Depois de algum tempo, um das nossas duas simpáticas amigas já estava totalmente interessada pelo Giba e a outra, graças ao bom Deus, prestava atenção no que eu dizia. Quando eu olho, o Giba lascando um beijo na outra. Giba nelas!
Para quebrar o gelo, a minha interlocutora quis saber:
- Se ele á parecido com o Giba, quem é você?
Silêncio geral. Comecei a pensar em quem eu era, mas eu não conseguia parar de pensar “ele ta beijando ela, e agora como eu faço pra agarrar a minha?” Além do que, eu não parecia com ninguém famoso, então ficava difícil. Enquanto via o Giba beijar, meus pensamentos foram longe e eu me perguntava porque raios eu não era nem um pouco parecido com nenhum ser minimamente famoso ou conhecido. Isso me facilitaria tanto a vida!.. Fui interrompido pela menina, que disse firme:
- Já sei com quem você se parece!
- Se ele é o Giba, apontei para o meu amigo, no mínimo eu sou o auxiliar técnico gordinho que fica anotando todas as estatísticas durante o jogo em um notebook, para o técnico estudar depois. – desconversei.
- Não. Lembra daquele seriado “Anos Incríveis” que passava na Cultura? Do Kevin Arnold?
- Sim, lembro sim. Quem de lá eu pareço? – e uma avalanche dos personagens daquele seriado passou pela minha cabeça, sem eu conseguir lembrar de nenhum que tivesse a minha cara.
- Então, você é o irmão mais velho do Kevin, o Wayne Arnold. Ele apareceu em poucos os capítulos, mas você é a cara dele.
Nisso, uma luz se acendeu no meu cérebro. Era a chance perfeita, a deixa ideal. Era agora ou nunca que eu empatava esse jogo:
- Hum… Bom, pelo menos você não vai beijar um completo desconhecido, né? Posso não ser um Giba, mas sou um Wayne Arnold!
- É – ela me respondeu sorrindo.
Daí eu fechei os olhos e corri para o abraço, com o Galvão gritando “Gorniak nelas!”
3/Junho, 2008 às 10:07 am |
Estou quase… emocionada. Lindo, continue assim !
3/Junho, 2008 às 11:18 am |
beijo
3/Junho, 2008 às 4:26 pm |
O bom e velho gorniak retorna com seus textos sempre engraçadissississimos!!!
6/Junho, 2008 às 3:42 pm |
Seus textos são sempre ótimos, mas confesso que ouvir essas histórias pessoalmente não tem preço!!!
Bjinhos