Ele era um bom rapaz. Trabalhador, estudioso, inteligente e, principalmente, divertido. Entretanto, ele tinha uma característica muito peculiar. Ele não terminava nada. Sua mente viajava muito e, tão logo começasse algo, já perdia o foco e se distraia, passando para outra ação. Tudo acabava ficando sempre pela metade. Cada novo projeto era abraçado com grande entusiasmo e paixão. E com a mesma intensidade com que abraçava esses novos projetos, ele abandonava-os.
Era assim também com seus amores. Entregava-se completamente a cada mulher que se envolvia. Entretanto, logo abandonava o relacionamento para começar um novo com outra mulher, e assim sucessivamente.
Era escritor, ele. E quando percebeu seu TDA*, resolveu sentar e escrever algo a respeito. Uma crônica, talvez. Então ele começou a escrever sobre isso e
* O mal não é dislexia, como estava antes, e sim Transtorno do Déficit de Atenção, de acordo com a análise altamente gabaritada da Silvia.
29/Outubro, 2008 às 11:49 am |
paulao, esse texto está sensacional.
você está falando das pessoas com quem eu trabalho no meu dia-a-dia do consultório. é uma descrição perfeita!
MAS eu vou ter que ser chata e te contar uma coisa: o diagnóstico tá errado. esse cara não tem dislexia (ainda mais escrevendo bem desse tanto).
esse cara tem um TDA bravo… o cara-metade é um clássico do transtorno do déficit de atenção.
sei lá, vai ver que você até sabia, mas se distraiu e acabou escrevendo outra coisa…