Namorado de Aluguel (2 de 2)

 

No sábado marcado, lá vou eu até a casa da menina, minha “namorada” naquele final de semana. Ela está espetacular, toda produzida. Sabe que estou começando a gostar desse negócio de fingir namoro? Oi, tudo bem? Oi. Três beijinhos no rosto. Você tá linda, como e que em tantos anos nunca te vi assim? Obrigada, não é sempre que sou madrinha de casamento. Você também não está mal não. Bom, eu me esforcei. Ta com mapa do lugar? Ta aqui ó. Deixa eu ver. E assim a gente segue falando amenidades o caminho inteiro. Só que, como diz o ditado, quem não arrisca não petisca, resolvi tentar de novo:

- Você sabe que por me usar nesse fim de semana, vai ter que pagar né?

- Ah, Paulê, achei que você estava fazendo isso por ser meu amigo.

- Amigo eu sou, claro, mas amigos, amigos, negócios à parte.

- Tá bom, quanto você quer?

- Quem falou em dinheiro? Nessas horas eu lembro do Tim Maia: “Não quero dinheiro eu só quero amar só quero amar só quero amar.” Pode pagar com o corpo mesmo.

Tomo um tapa. É, não deu muito certo. Mas o dia está apenas começando, ela há de ceder. Um pouco antes de chegar no tal sítio há uma bifurcação sobre a qual o mapa não falava nada. E agora, esquerda ou direita. Discutimos sobre qual caminho tomar. Eu acho que é pra esquerda, ela acha que é pra direita. Eu pego à esquerda, ela fica emburrada e para de falar comigo. Olha que não é que estamos mesmo parecendo um casal de verdade?

Chegamos no sítio e eu sento em uma mesa enorme, cheio de amigos e amigas dela. Apresentações feitas, esse é o Paulo, meu namorado, cumprimento todos com um sorriso. Estou pouco a vontade, odeio chegar em festa que eu não conheço absolutamente ninguém. Ainda mais quando eu percebo que a única pessoa que eu conheço desaparece e vai parar no altar, onde estão os outros padrinhos e madrinhas. Começo a conversar amenidades com o casal ao meu lado, seguindo o Guia Gorniak para Casamentos em que Você não Conhece Ninguém. Percebo que eles sabem bem mais dos gostos, costumes e da rotina da minha “namorada” do que eu. É, esquecemos de combinar certas coisas, inclusive desde quando namoramos. E parece que minha interlocutora lê meu pensamento, pois exatamente nessa hora, ela pergunta:

- E desde quando vocês namoram?

Caceta, e agora? “Desde a semana passada, quando ela me ligou falando desse casamento” não parece ser uma boa resposta.  Dou a única resposta possível nessa situação, aquela que sempre funciona. Quando em apuros, sobre qualquer assunto, não se intimide. Vá de depende.

- Depende.

- Como assim, depende?

Pronto, agora sim, consegui o gancho pra enrolar essa resposta indefinidamente.

- É… complicado. Porque a gente já se conhece há anos, tem uma história cheia de altos e baixos. E nós dois temos uma data diferente pro início do namoro. Espera ela voltar e você pergunta pra ela.

Assunto resolvido, começamos a falar sobre outras coisas, vai a cerimônia, trocam juras, alianças, “aceito” de ambas as partes e um beijo, aí começa a melhor parte:o buffet. Volta minha “namorada”, vem as cervejas e o whisky, e eu lembro porque gosto tanto dela: como bebe a menina. Passam os noivos “Felicidades, vocês formam um ótimo casal” outras coisas do gênero, até que a festa inteira está suficientemente alcoolizada para dançar Village People e assemelhados na pista. E é aí que o quem não arrisca não petisca entra de novo em ação. Chego no ouvido dela “Eu VOU te dar um beijo agora e você NÃO VAI fugir. Sabe como é, somos namorados, ia ficar estranho”. E tome um beijo que, para a minha surpresa, é respondido por um abraço e dura uns cinco minutos.

- Nossa, não saia que era tão bom.

- Tem muita coisa que você não sabe. Mas vai saber.

E a festa continua. Mas isso, já é um outra história.

2 Respostas para “Namorado de Aluguel (2 de 2)”

  1. silvinha Disse:

    é o rei do marketing!

  2. Amanda Disse:

    Cara, vc é exatamente o que eu preciso.
    Entre em contado assim que possível.

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