A Secreta Sociedade da Terceira Idade – Parte 1

 

Maria da Graça nunca achou a menor graça no seu nome. Até hoje. Ela sempre achou que era nome de velha, o típico nome de avó mesmo. Então, nada mais natural que a partir de hoje ela considerasse o nome perfeito. Vinha pensando nisso enquanto dirigia seu carro de volta para casa. Estava voltando do hospital, onde sua filha tinha acabado de dar à luz a uma linda menina. “Vovó Maria”. Melhor ainda, “vó Gaça”. Ela não parava de imaginar a netinha chamando-a assim. E daí que a criança só tinha algumas horas de vida? Ela já imaginava a menina andando pela casa, rabiscando paredes… que maravilha. Maria da Graça, ao se aproximar da porta de casa, já vendo sua netinha correndo pra lá e pra cá, percebe um embrulho na soleira da porta, como se fosse uma caixa de Sedex, só que sem remetente. Estranho… Quem é que colocaria um embrulho daqueles na sua porta? Como conseguiu entrar, aliás? Ela entra em casa se perguntando “O que deve conter? Abro ou não abro?”. A curiosidade, enfim, é maior do que a prudência e ela acaba por abrir o pacote. Ela toma um pequeno susto com o que vê. Logo de cara, um bilhete, datilografado, chama-lhe a atenção: “Parabéns, vovó. Agora você tem uma linda netinha e faz parte do nosso grupo. Bem-vinda à Sociedade da Terceira Idade.” Estranho, muito estranho. Ninguém ainda sabia do nascimento da sua neta. Tinha corrido às pressas só ela e sua filha ao hospital. Mal tinha tido tempo de avisar o Douglas, seu genro. É isso, foi ele. Só pode ter sido ele que ligou para alguém e pediu para fazerem essa brincadeira. “É até bem criativa”, pensa, enquanto examina o conteúdo da caixa. (continua…)

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