(uma homenagem às inúmeras mulheres que já me disseram não, e àquelas incontáveis outras que ainda dirão)
Se eu tivesse sorte, você gostaria de mim e deixaria eu gostar de você. Aí a você não desgrudaria de mim e eu não desgrudaria de você, você iria me ensinar esse monte de coisa sobre artes e filósofos e literatura que você sabe, e eu ia te levar prum estádio e ia te ensinar a vibrar com uma simples partida de futebol, você ia me explicar semiótica russa como se fosse a coisa mais natural do mundo, e eu ia te falar que bom mesmo é encher a cara num dia de sol num quiosque na praia, você ia tentar parar de fumar e eu ia tentar ouvir as suas músicas preferidas, você ia passar a gostar de comer manga e eu ia comer linhaça sem fazer piada, você iria mostrar as coisas erradas da vida e me fazer ficar indignado querendo mudá-las e eu ia fazer você rir mais do mundo e de si mesma, você iria me tornar uma pessoa melhor e eu iria te mostrar o quão fantástica você é, você riria dos meus amigos estranhíssimos, mas faria de tudo para que também fossem seus amigos, e eu riria dos seus amigos estranhíssimos, mas faria de tudo para que também fossem meus amigos.
Se eu tivesse sorte, você gostaria de mim e deixaria eu gostar de você. Aí a gente ficaria horas olhando um pro outro, a gente correria juntos da chuva na paulista, a gente falaria dos problemas um para o outro, a gente ouviria os problemas um do outro e diria que vai ficar tudo bem, eu to aqui, a gente ia fazer amor até cansar e continuar fazendo mais, a gente comeria paçoca cuspindo e fazendo porquice, a gente jogaria playstation madrugada adentro, a gente ia ficar trocando mensagens no celular no jantar em família mesmo estando de frente um pro outro na mesa, a gente falaria mal de filmes e músicas que todo mundo fala bem, a gente falaria bem de filmes e músicas que todos falam mal, a gente morreria de ciúmes um do outro, mas a gente deixaria o outro dar uma olhadinha para outra pessoa, afinal olhar de leve, por quase dois segundos não arranca pedaço, a gente sairia separados, cada um com seus amigos, mas sempre pensando no outro, a gente ia visitar parente distante e no caminho parar em qualquer lugar inusitado e fazer amor, a gente ia concordar em muita coisa, a gente ia discordar em mais coisas ainda, a gente ia confessar segredos inconfessáveis e riríamos falando que é isso, não tem problema nenhum, e a gente ia chorar no colo do outro por qualquer um daqueles motivo que valem a pena chorar, enquanto o outro faz cafuné e diz xiu, a gente ia aprender a dançar alguma dança, a gente ia dormir abraçados no sofá e acordar com uma puta dor no corpo porque já não temos idade pra dormir abraçados no sofá, e antes de dormir no sofá a gente ia fazer amor sem prestar a mínima atenção no filme que a gente brigou tanto na locadora para alugar.
Mas o problema é que eu não tenho sorte e por isso você não gosta de mim e nem deixa eu gostar de você. Pela minha falta de sorte nós ainda não fizemos tudo o que poderíamos fazer. No final das contas, porque eu não tenho sorte, você também não tem.
27/Abril, 2009 às 1:46 pm |
Sabe quando a gente termina de ler e fica com vontade de gritar impropérios em italiano, mesmo sem saber italiano?
pois é. maledeto! tá um absOOOrdo
28/Abril, 2009 às 8:21 am |
O que conforta é que tem bastante gente no mundo com “falta de sorte”. O bom é que um dia ela aparece.
Quando é o próximo post? preciso marcar na agenda pra não perder.
29/Abril, 2009 às 10:16 am |
Se aceitar uma crítica, eu direi que seu blog é deveras confuso. Cliquei em “Encontro às escuras” e lá não estão nem o 1º nem o último texto. Este é apenas um exemplo.
Mas escreves muito bem.
29/Abril, 2009 às 10:26 am |
Nada mais justo que um blog seja o retrato fiel do seu dono, não? Daí eu considerar o comentário “deveras confuso” como um elogio, e não como uma crítica. Aliás, ambos os dois (ui), críticas e elogios, são sempre bem-vindos. Entretanto, arrumarei a sequência dos textos mencionados, minha cara loira misteriosa (serias tú aquela figura mítica que assombrava os banheiros da minha infância?). Um abraço.
15/Maio, 2009 às 9:19 am
Espertinho vc, não, escriba?
Eu mesma! Mas já saí dessa…
Hj em dia prefiro assombrar quartos e
camas de garotinhos confusos.
Keep writing.
2/Maio, 2009 às 2:39 am |
Menino, o que é isso? Faz isso com meu pobre coração, não.
4/Maio, 2009 às 3:00 pm |
Morri.
4/Maio, 2009 às 11:26 pm |
Hummmmmm. Será que antes de 2014 você vai escrever um falando da SORTE em si???
Bjs, sem palavras para descreve-lo.
Luciana Migalu
18/Maio, 2009 às 10:59 pm |
eu amei isso!
24/Maio, 2009 às 10:00 am |
Eu diria que seu lado feminino está bastante aflorado nessa crônica rsrrsrs Amei! Amei!
8/Agosto, 2009 às 5:50 pm |
Passei Chuchu… fiquei ateh na expectativa de viver uma sorte assim, mesmo amando minha vida de sorteira! rsss
Adorooooo, bjao
15/Maio, 2009 às 11:34 am |
Nada como apaixonar-se…. e continuar se apaixonando, sempre.