Dia 24 de junho
Local: Parintins – AM
Depois da apresentação da primeira noite no bumbódromo, era a hora da farra. A festa dos bois era incrível, uma expressão inigualável da cultura amazônica (e brasileira, por que não?) eu saia muito mais rico com minha bagagem cultural enriquecida sobremaneira, tudo isso. Mas, depois de alimentado o espírito, era a hora de satisfazer os prazeres do corpo e, nesse quesito, cerveja e mulher, não necessariamente nessa ordem, eram imbatíveis.
Mesmo esvaziado o Bumbódromo, os bares no entorno ainda estavam cheios de gente e pareciam um bom lugar para começar. Sentamos todos em uma mesa e oca descer cerveja (que no entorno do Bumbódromo era um pouco mais cara, tipo 3 reais). Em todos os bares que já estive pelo Brasil afora, sempre que eu sento na mesa, e essa viagem teve inúmeras provas disso, ligo o radar em busca de mulheres próximas, que possam ser abordadas. Mas em Parintins aconteceu um fenômeno como nunca antes: eram as mulheres que olhavam para a gente e, acredite se quiser, depois de determinado momento o entorno da osa mesa estava cheio delas. Não sei se era nosso sotaque, nossa cara de forasteiros ou quantidade descomunal de garrafas de cerveja em cima da mesa, ou tudo junto. Fato é que pela primeira vez na vida eu tinha um leque considerável de opções e, com grande chance de sucesso, poderia escolher com quem ficar.
Depois de uma análise minuciosa de todas as messa que estavam por perto, e de usa espectivas ocupantes, achei a que considerava a mais bonita, e promissora, delas. Eu sou um românico por natureza, amante à moda antiga, e resolvi que melhor que uma abordagem direta na mesa dela, antes de mais nada seria legal uma troca de olhares a distância, uma certa dissimulação de que não está interessado quando a outra pessoa olha, sorrisos meio envergonhados quando percebe que foi pego no pulo encarando a pessoas, essas coisas todas. Comecei então a olhar fixamente meu alvo, uma morena de cabelos pretos lisos, pele um quê de jambo e traços levemente índios. No war das raças, eu já tinha conquistado brancas, negras, louras, ruivas, orientais. Índia (ou mameluca, como era o caso) ainda faltava e essa era a chance perfeita. Joguei todo o charme que Deus me deu (que obviamente é próximo de zero) e mesmo assim deu resultado. Aliás, deu mais resultado do que o esperado.
Minha musa mameluca estava a algumas mesas de distância e no caminho do meu olhar até ela obviamente haviam outras mulheres. Uma delas, que estava posicionada bem na mesa à frente da minha futura paixão amazônica percebeu que eu olhava incessantemente para aqueles lados e teve a certeza de que eu a cortejava. Sem pensar duas vezes, levantou e veio em nossa direção. uando percebi isso, ainda desejei mentalmente com toda a força “Não, você não! Não venha aqui para a mesa” E onforme ela vinha se aproximando eu aumentava o fervor dos meus pedidos “Não venha! Ela não! Ela não!… Ela sim? Ela sim…” e ela chegou.Se apresentou, falou qualquer coisa sobre querer muito me conhecer, que estava me olhando de longe e blá blá blá. E agora, o que eu devia fazer? Mandar passear seria indelicado, mas ficar aos beijos também não era uma opção. Tentei bucar, na base do olhar suplicante, uma resposta com Luciano ou Bledmilson. Foi aí que vi Bledmílson olhando para a menina interessadíssimo, e tudo se resolveu. Puxei uma cadeira e coloquei entre eu e Blédi, e a convidei para sentar. Conversamos um pouco e eu tentava sistematicamente jogá-la nos braços de Bládi, cheio de amor para dar. Não que ela estivesse minimamente interessada nele, “mas desculpa minha filha, é a sua única opção” só faltou eu dizer a ela. Para reforçar isso, a certa altura levantei e fui até a mesa da minha affair amazônico, que eu continuei olhando mesmo com a outra sentada na minha mesa. Meia dúzia de palavras, se tanto, e eu já estava sentado ao lado dela, conversando animadamente. A outra que se virasse com Bledmílson.
Como eu suspeitava, não demorou quase nada para estarmos um nos braços do outro, trocando beijos apaixonados. Depois de um bom tempo naquele amassa amassa gostoso, brinquei com ela:
- Estamos num fogo que até parecemos recém casados.
- É, mas só parece mesmo, porque eu já sou casada.
- Hãn? Como assim, casada? – me afastei dela meio que num impulso – E seu marido, cadê?
- Não se preocupe não, que ele ficou hoje em casa cuidando do nosso bebê.
Como assim, bebê? Dei uma balançada. Estava em plena praça pública, de um lugar pequeno como Parintins, onde todo mundo se conhece, dando altas catracadas com uma mulher casada, que acabara de dar à luz há poucos meses? Era roteiro de crime passional, por vingança, e plenamente justificável, pensei. uando disse isso a ela, ela repetiu um não se preocupe. Chegou bem mais perto e propôs que, se eu estava assim tão preocupado, que saíssemos de lá e fôssemos para um local mais reservado. Teria dito não, é claro, mas enquanto falava ela fazia umas coisas com a língua no meu ouvido que minhanossasenhora era difícil não quere ver o que mais ela podia fazer com aquela língua.
De modo que eu sucumbi e quebrei uma das minhas (poucas) regras que eu até então seguia: não se meter com mulher comprometida. Mas era Parintins, meio da floresta, longe de tudo e de todos (menos do amrido dela) e ela era mameluca. Eram coisas demais para eu desprezar. Saímos de lá e só retornei para a casa horas depois, feliz da vida e sem me arrepender de ter ido conferir todo o potencial dquela língua.
(coninua)