Os dois conversam no bar. Ela acaba de chegar de Florianópolis para um congresso em São Paulo. Ele, mais do que rapidamente, se ofereceu para entretê-la pela cidade.
- Estranho ninguém fumando.
- É, nova lei, multa pesada, pessoal tá respeitando mesmo. Pra fumar, só saindo ali pra rua.
- Poxa, mas é tão chato. Sei que é um vício besta e tal, mas sempre que tem álcool eu curto dar umas tragadinhas.
- É, incomoda mesmo. O pior é que, em alguns lugares, se sair na rua até corre o risco de assalto, sei lá.
- Mas e aí, como faz? Ninguém fuma?
- Bom, o que temos feito é ir em motel. Lá é o único local fechado que pode fumar.
- Não acredito, jura?
- Juro. Mesmo porque tem bebida, tem música e dá pra fumar. E não precisa necessariamente rolar sacanagem.
- Você tá falando sério?
- Ô. Virou até piada a expressão “levar fumo”. Agora o pessoal vai no motel e só usa no sentido literal mesmo.
- Você tá tirando com a minha cara.
- Tô não, se quiser eu te mostro. Tem um aqui pertinho bem legal.
Ela olha desconfiada. Ele tira um maço do bolso e estica para ela.
- Vamos? Não há nada que podemos fazer aqui que não podemos fazer lá. E lá tem cigarro.
- Você tá de papinho, mas gostei da ideia. Não que vá rolar nada, que fique bem claro. Ouviu? Nada de graça.
- Claro, claro, nem pensei nisso.
Três horas depois, os dois estão deitados na cama, ela pega um cigarro do maço que ele ofereceu, puxa um e acende.
- Nem vou te oferecer porque sei que você não fuma.
- Mas você sabia?
- Claro. Ou você acha que essa conversa de “vamo ali” ia enganar alguém?
Escrito por Gorniak
Escrito por Gorniak
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