Um dia de fúria

20/Setembro, 2009

Você está na sua casa. O dia não foi nada bom. Teve que ouvir muita merda, arbitrariedade, agüentou injustiças e abuso de poder. Você sente o ódio e a frustração te consumirem. Agora chega, você precisa fazer algo, mostrar pro mundo como se sente, eles sentirão a sua fúria. Você sai pra rua com a sua escopeta. Passa uma mulher na calçada e esbarra em você. Ela sequer pede desculpas, sai resmungando. Você nunca a viu, mas não tolera mais esse tipo de atitude. Engatilha a arma, faz mira e atira. BLAM! O corpo da mulher é violentamente arremessado para o meio da rua, onde cai já sem vida. Por isso, não faz a menor diferença o carro que não consegue frear a tempo e passa por cima daquela massa de músculos e sangue. O motorista para e sai em pânico, horrorizado pela cena. Ele olha para você, que ainda está dominado pela raiva. Agora não há volta, você pensa, é minha danação. BLAM! O tiro acerta em cheio o motorista. Um táxi vem atrás e para. Você só tem o tempo de virar e fazer mira. BLAM! Dessa vez o tiro arrebenta o parabrisa e a cabeça do motorista. Sangue e miolos se espalham por todo o veículo. A passageira abre a porta e sai correndo desesperada. Você aponta para ela, que já vai ganhando distância, respira fundo e BLAM. O impacto do tiro nas costas joga a mulher no asfalto. Mais ao longe outros carros param e os motoristas, como os transeuntes, saem correndo. Ao longe já escuta sirenes, alguém chamou a polícia. Você pega um dos carros abandonados e parte em velocidade. A polícia está em seu encalço, já aparece no retrovisor. Em alta velocidade, você sobe a calçada e atropela três homens que estavam conversando. Um deles rola por cima do carro e o sangue espirra em todas as direções. Gritos de pânico misturam-se com o rock pesado que toca no rádio do carro.  Novos carros surgem das transversais, e a única saída é a via expressa que leva à ponte. Você bate em um carro e atropela um motociclista, jogando-o contra o muro de proteção para conseguir pegar a saída certa. Agora são cinco, seis viaturas policiais na sua cola. À sua frente, o pedágio da ponte. Não dá para parar, então você acelera ainda mais e arrebenta a cancela. Você sai da ponte e volta às ruas da cidade. Seu ódio parece arrefecer, você já não sente mais aquela sede de vingança de antes. Sempre diziam que dar uns tiros era uma tremenda terapia, relaxava mesmo. Mas você foi longe demais, transformou um dia comum num banho de sangue. Os carros de polícia continuam com suas sirenes ensurdecedoras bem atrás de você. Ah, que se dane, você pensa, antes de dar um cavalo de pau e ficar frente a frente com as viaturas. Duas passam direto, você consegue pegar a sua metralhadora e dispara um sem número de tiros contra a terceira, que bate num poste. A quarta emparelha com você e toma uma chuva de tiros. O motorista é ferido e acaba por atravessar o canteiro central da avenida e bater de frente com um veículo que vinha em sentido contrário. Você engata a marcha e sai rasgando pela avenida. Ao fazer a curva a esquerda, perde o controle do carro, sobe na calçada, derruba um hidrante e arrasta uma carrocinha de cachorro quente, juntamente com seu proprietário. Você sai do carro, já bem amassado, e corre até um prédio garagem que está na sua frente. Na entrada do prédio você rende um motorista que estava entrando. Ele fica paralisado de medo dentro do carro, você não tem tempo para isso e puxa o gatilho. O barulho, a pólvora e o sangue estão se tornando por demais familiares a você. Com um movimento rápido você abre a porta do carro, arremessa o corpo inerte para fora e toma o volante. Mais carros de polícia aparecem na ponta da rua, vindo em grande velocidade em sua direção. Você sobe as rampas do estacionamento, até o terraço. O carros de polícia bloqueiam a rampa que é a sua única saída, você está irremediavelmente cercado, mas eles não te pegarão facilmente. Atiradores se posicionam e você se protege atrás do seu carro. Inúmeras balas começam a passar zunindo. Para confundir e tumultuar, você arremessa uma granada na direção das viaturas. Há uma explosão, duas viaturas vão pelos ares, você aproveita faz mira e metralha os policiais. Outra viatura explode e inúmeros policiais morrem. Quando você percebe, um helicóptero da polícia dá um rasante e um atirador procura fazer mira. É a hora certa para o lançador de mísseis, que você prepara e dispara. O míssil deixa uma trilha de fumaça e acerta em cheio o helicóptero, que explode e desaba na avenida abaixo. Os policiais na rampa do estacionamento se reagrupam, novas viaturas chegam, o cerco se aperta. Você toma consciência de que não há escapatória, mas eles jamais o pegarão com vida. Outro helicóptero se aproxima, os tiros Vem de todo o lado. Só há uma coisa a fazer. Você sai correndo se joga do parapeito do edifício. Nos milésimos de segundo em que flutua você abre um sorriso e se sente mais leve, mal se lembra do porquê começou toda essa confusão.

Você morre, mas com a sensação de dever cumprido, já se sente bem mais tranqüilo. Desliga o videogame e vai fazer alguma outra coisa.


Eu, frente e verso

14/Setembro, 2009

(pra quem me pergunta por que não escrevo versos, taí a resposta.  Sempre ficam ruins demais)

Para quem não me conhece

É bom que eu me apresse

E me apresente de forma apropriada

Sou um cara gente boa

Que curte a vida, ri à toa

E gosta de fazer piada

Dizer que sou louro, alto, olhos claros

Configura um daqueles discursos raros

Que palavras valem mais que a imagem

Porque, apesar de não estar mentindo,

Quem ouve pode achar que sou lindo

O que é, claro, uma grande bobagem

Tenho uma porrada de defeito

Estou bem longe de ser perfeito

Não gosto de mentir ou fazer cena

Sou estranho, gordo e feinho

Mas adoro cafuné, beijo e carinho

Por isso acho que ainda valho à pena

Deixei para o final uma surpresa

Para compensar a falta de beleza

Ganhei uma qualidade inigualável

Não é à toa que tenho dito

Eu realmente acredito

Que sou perfeitamente sustentável

Não gero muito custo, fica aqui a dica

Pra me fazer feliz não precisa ser rica

Basta dar cerveja, comida e amar todo dia

Assim, se por acaso me adotares

Você vai viver no melhor dos lares

E sentir como se ambos ganhássemos na loteria.


A Secreta Sociedade da Terceira Idade – Parte 2

13/Abril, 2009

 

Maria da Graça vai, aos poucos, retirando o conteúdo do pacote sem remetente que recebeu na porta da sua casa: uma agulha de crochê e um livro de receitas. Junto, uma missiva (espaço pra um comentário: bonito missiva né? Também gostei. Fecha comentário):

 

“Querida Vovó de primeira viagem. Mais uma vez, bem-vinda à Sociedade da Terceira Idade. Você acaba de entrar nesse seleto grupo e nós estamos aqui para auxiliá-la. Afinal, são dezenas de publicações e livros que ensinam uma mãe novata a ser mãe. Mas e nós, avós, como aprendemos a ser avó? Porque ser uma avó significa ser totalmente diferente da mãe. Você só é avó porque já foi mãe. Já sofreu, já suou, já padeceu no paraíso.Seus filhos já deram um trabalho absurdo e estão criados. Agora vem a parte boa. Chegou a sua hora de curtir a sua neta. Você, como avó, vai amá-la e mimá-la e estragá-la como sua mãe fazia com seus filhos e você sempre reclamava. Mas agora você pode. Agora você é avó. Parabéns.

Nesse nosso primeiro contato, você está recebendo um livro de receitas para aprender a cozinhar doces maravilhosos e pratos saborosos e cheirosos do jeito que só uma avó sabe fazer. Lá estão todas as dicas e os segredos mais secretos da culinária, coisa que não aparece nem na Maravilhosa Cozinha da Ofélia.

Está recebendo também agulhas de crochê, novelos de lã e um guia completo sobre crochê e tricô. Como avô, você terá muitos casaquinhos e meias e gorrinhos para fazer para a sua neta.

Em breve você receberá outros presentes nossos.

Importante: Isso não é brincadeira. Trata-se de uma instituição séria e altamente secreta. Nunca, repetimos, nunca comente da Sociedade da Terceira Idade com quem quer que seja. Só as vovós é que sabem dessa nossa milenar Instituição.

Cordiais saudações e parabéns pela linda netinha. Ela tem os olhos da mãe.

 

A Sociedade da Terceira Idade”

 

Realmente muito engraçada a brincadeira. Restava agora saber quem foi que fez isso. Mas é fácil. Ela vai ter que ligar para todo mundo informando o nascimento da neta, com certeza vai acabar descobrindo o autor.

 

(continua)


Dividida – parte 2 de 2

6/Abril, 2009

- Então quer dizer que é mentira?

- Hum?

- Você não me ama mesmo né, Carlos Alberto? E olha pra mim quando eu falar com você!

- Pronto, acabou de estragar meu jogo. Agora só falta sair um gol do peru. Que que foi? Pra que esse drama todo?

Over gol de peru.

- Aí, ta satisfeita agora?

- É que você não me ama.

- Mas eu não acabei de falar que te amo? Deu azar e saiu o gol do peru.

- Falou.

- Então…

- Mas foi hoje, dia primeiro de abril. Dia da mentira. Você nunca me falou que me amava. E foi falar bem no dia da mentira.

- Mas catzo! Você é quem ficou insistindo!

Ele olha para o relógio

- Ó, vamos fazer o seguinte. Já vai dar meia-noite… 3…2…1…Pronto, meia noite. Tecnicamente agora já é dia dois de abril, não é mais dia da mentira. Agora eu já posso dizer Eu te amo e você pode actreditar. Quer ver? Eu – te – a – mo. Viu?.

- É?

- É.

- Mesmo?

- Mesmo.

- De verdade?

- Juro.

- Não sei não… Hoje você nem deu atenção pra mim aqui no bar… ó quis ficar vendo esse jogo do Brasil.

- Não, impressão sua. É que seleção brasileira é só de vez em quando né. Você é todo dia que eu vejo.

- Ta vendo? Você prefere a seleção a mim! “Essa daí eu vejo todo dia”.

- Não não. Você dá de goleada em qualquer seleção pela minha preferência.

- É?

- É… ou você acha que eu vou te trocar por esse monte de homem suado, feio pra burro? Olha o Ronaldinho Gaúcho, que coisa horrorosa.

- Mas o Kaká é bonitinho, vai

- Êêêê… e você acha que eu lá vou achar homem bonito? Prefiro você.

- Então ta.

(silêncio na mesa. Ele masca uma manjubinha)

- Amo-or

- Oi

- Então você me ama mesmo?

- Poxa, já falei. Claro!

- Lá vem você de novo com esse “Claro”…

- Mas eu já falei que te amo, poxa vida. Quer ouvir mais? Eu te amo, eu te amo, eu te amo… Satisfeita?

- Hum…. quase. Você me ama mais que essa manjubinha?

- Claro, sem dúvida. Mesmo com esse molhinho de alho essa manjubinha não chega aos seus pés.

(terminando de mascar a manjubinha, tenta dar um beijo nela. Ela recua)

- Ah não, cruz credo. Molhinho de alho não.

- Aí, ta vendo, agora é você que está com frescura.

- To nada.

(A mesa fica em silêncio)

- E você me ama mais que esse bar?

- Affe, que pergunta mais besta

- Ama ou não ama?

- Amo, amo fácil. Esse bar não é nada se eu não viesse aqui com você.

- Ah ta…

(novo período de silêncio na mesa)

- E a cerveja? Você me ama mais do que a cerveja?

- Hum…

- “Hum..” o que?

- Se eu amo mais você ou a cerveja?

- É.

- Quantas garrafas? Qual cerveja?

(fim… tela preta. Créditos. Ao fundo ouve-se o cara rindo)

- hahaha calma, amor… foi uma piada… eu amo mais você

- Ama mesmo?


Férias

22/Dezembro, 2008

A partir de hoje, eu entro em férias.

- Ué, mas pela frequência de textos postados, você já não tava?, há de perguntar alguém.

- Não. Mas a minha promessa de ano novo número dois mil, seiscentos e dez é publicar textos no meu blog com mais frequência, responderei eu.

Ano que vem termino a saga “Correndo atrás”, a quem interessar possa.

E nada como um ano novo na Bahia para render novas histórias. Até dia 05.

Gorniócio


Visite o blog

25/Outubro, 2008

Aviso aos três leitores desse blog, incluindo você, mãe: agora estou cozinhando pra fora.

http://visiteoblog.blogspot.com/

Eu e minha amiga Carol Rosa estávamos sem mais nada para fazer da vida, então decidimos criar um blog para falar de cultura, no sentido mais amplo da palavra. Tudo o que lemos, assistimos, ouvimos, passeamos e experimentamos (separados, claro, porque o namorado dela é grande), culturalmente falando, ganha uma resenha leve e apetitosa, puxada no bom-humor.

O cardápio é dividido em três categorias, que na verdade são quatro:

COOLtura, cujo material por algum motivo é foda, algo como deviam ser os quitutes da Dona Benta. 

Cultura, que é legalzim, normalzim, tipo aquele arrozim com feijão que sustenta.

CÚtura, que dispensa explicação, parece aquele churrasco grego, que você caiu na esparrela de experimentar.

Ah, e tem a quarta classificação, Cultura Trash, que virou categoria à parte pois ser Tash é ser ruim por definição. Ou não. Ou é, sei lá, então por ser meio complexa, virou categoria à parte.

Para comer com os olhos.


No metrô

19/Agosto, 2008

Minha mãe não se cansa de repetir que me deu educação, fui eu quem não pegou. E ela tem razão, claro, uma daquelas razões que só uma mãe tem. Mas algumas coisas eu peguei sim, e uma delas é ceder meu lugar para idosos em conduções lotadas, tipo vagão de metrô ramal paulista às 8 e pouco da manhã. E foi exatamente isso que eu pensei quando vi a velhinha entrar. Cabelo branco, arqueada, xale verde, entrou arrastada pelo turbilhão e lutou para se segurar no ferro até tudo se ajeitar. O orgulho da mamãe aqui levantou e, antes que qualquer feladumaputa desse uma de espertinho e sentasse, peguei o braço da vovó e disse gentil:

- Sente-se aqui, por favor.

E ela:

- Não obrigada, eu já vou descer.

Alguns velhos não estão nem aí, devem pensar “sou velho mesmo, não faz mais que a obrigação” e sentam sem cerimônia. Mas a grande maioria regateia em princípio, como um gesto de “Imagina, apesar de ser velho, não quero incomodar.” Justamente por isso, você deve insistir e sempre rebater:

- Eu vou descer antes – respondi, e já saí da frente, abrindo caminho na massa para que a velha pudesse chegar até o banco.

Só que a velha não se moveu. Apesar de torta e mal se agüentando em pé, as agulhas do coque do cabelo branco fazendo contrapeso para que ela não caísse de frente tal o arqueamento das costas, ela continuou em pé e nem ligou para o meu gesto supremo de boa ação.

Aí a cena adquiriu um aspecto insólito, pois a velha não sentou, eu não poderia voltar, afinal havia cedido o lugar, e também não deixei ninguém sentar. Olhava com cara de “se sentar aí, arranco na pancada” para qualquer um que fizesse menção em se acomodar no assento vazio. E todo mundo entendia o recado. Se a filha da puta da velha não quer, e eu não posso, ninguém usa. E seguimos todos espremidos no vagão lotado, um montão de gente em pé e aquele banco ali, sozinho, intocado, até chegar na Consolação, onde descemos eu, velha e mais todo o contigente daquele vagão. Enquanto subia a escada rolante, decidi que na próxima, finjo que estou dormindo. E o velho que procure o assento cinza reservado mais próximo.


Ensaio sobre o Ensaio

14/Agosto, 2008

Acabo eu de ler o Ensaio sobre a Cegueira do Saramago. Confesso que sempre tive certo preconceito e fugi-me o mais que pude de adentrar o rico universo literário desse escritor português, visto que a cada vez que eu tentava, achava por demais chatas e arrastadas suas narrações, tome-se como exemplo O Evangelho Segundo Jesus Cristo, e dizia eu que literatura não é isso, deve ser mais solta, fluida, agradável. Pois vejam só qual a minha surpresa quando me disseram que o Ensaio sobre a Cegueira era mais palatável e vá lá, leia, você vai gostar e eu peguei e li e realmente gostei. Não é que esse negócio de Prêmio Nobel não é desmerecido, não te julgues um livro pela capa já dizia o meu avô, o velho Stan, que o gajo domina mesmo a nobre arte da escrita e nos presenteia com narrações primorosas de situações vividas pelos sofridos personagens, quase somos capazes de sentir os cheiros no hospício, os odores putrefatos dos corpos que jaziam ao léo pela caótica cidade de cegos, o horror das mulheres violadas e sobretudo as angústias de viver numa claridade cegante eterna. O livro é daquela sorte de objecto que não vai nem de perto ser reproduzido em película com equivalente impacto, mesmo que trazido por mãos de enorme competência como são as de Fernando Meirelles. Você também torna-se um cego, por assim dizer, pois sem anda da cidade ver, pode ver perfeitamente com sua imaginação, que é no final das contas o que resta para todos os personagens. Abstenho-me de conjecturar aqui a metáfora da cegueira branca, pois sou sim homem letrado, entretanto sem o devido aprofundamento nessas áreas do saber mais dialético. Só, ao final e a termos, reitero o conselho de quem o puder lê-lo, que o faça o mais brevemente possível, vale a pena cada minuto gasto imerso nesse mundo de humanos desprovidos de visão.

 

PS – Tão bom quanto o livro é mergulhar e se deixar envolver pelo estilo Saramago de escrever, que tentei reproduzir parcamente no texto acima.


A história da minha vida

12/Agosto, 2008

Outro dia me peguei divagando:

Se é válido dizer que uma mentira repetida inúmeras vezes torna-se verdade, então é correto afirmar também que uma piada sem-graça, contada muitas vezes, torna-se engraçada, certo?

 

O Instituto Gorniak de Pesquisas Avançadas, junto com a Associação Gorniak de Piadas Sem-Graça, uniram-se e, em um trabalho hérculeo de filosofia divagadora-contemplativa, chegaram à conclusão de que sim, uma piada sem-graça, contada muitas vezes, torna-se engraçada.

 

Afinal, essa é ou não é a história da minha vida?

 


Programa Porre Zero

31/Julho, 2008

Não somos desvalidos. Não somos miseráveis. Não passamos fome. Nossos
filhos todos estão na escola. Por isso, até hoje não fomos alvo de
nenhum programa social do Governo Federal. Antes, havia gente que
precisava mais do que nós.

Mas agora, isso mudou. Fomos profundamente afetados pela Lei Seca.

As saídas noturnas ou eventos sociais tornaram-se demasiadamente
caros, visto que não podemos tomar um drinque e dirigir.

Como parar de beber está fora de cogitação, o gasto com táxi tornou-se
insuportável.

Com esse custo extra, começará a faltar comida na nossa mesa.
Passarmos fome. Nosso filhos não mais poderão ir à escola e terão que
trabalhar para completar o orçamento doméstico.

O Governo Federal, então,  podia criar um Programa Social como desses
tantos que ele tem por aí, para ajudar a nossa pobre classe, a classe
daqueles que foram afetados pela Lei Seca.

Programa Porre Zero. Você pára de beber e de dirigir em seguida, e
ganha uma ajuda de custo mensal pra pagar o táxi.