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		<title>As férias da Redenção – parte 36</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 03:05:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Parte 36 Segunda noite de farra am Parintins. Nova oportunidade de visitar o Bumbódromo, agora do lado do Caprichoso. Quando você está na torcida de um boi tem que ficar no mais absoluto silêncio enquanto o boi adversário se apresenta. Como havíamos entrado com a menina do barco na noite anterior, que era Garantido, ficamos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=865&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Parte 36</p>
<p>Segunda noite de farra am Parintins. Nova oportunidade de visitar o Bumbódromo, agora do lado do Caprichoso. Quando você está na torcida de um boi tem que ficar no mais absoluto silêncio enquanto o boi adversário se apresenta. Como havíamos entrado com a menina do barco na noite anterior, que era Garantido, ficamos na torcida vermelha e por isso não pudemos emitir um pio quando o Caprichoso entrou. Agora não. Agora iríamos participar de toda a coreografia, estaríamos no meio da massa fazendo algazarra, gritando, torcendo. Devo dizer que a sensaçao é indescritível. A alegria, a energia, a vibração são emocionantes, não tem como não se envolver. Três pessoas ficam à frente da arquibancada, de costas para o espetáculo e de frente para a galera atuando como autênticos animadores de torcida. São quase duas horas pulando, gritando e com os braços levantados executando as mais variadas coreografias. Leques de papelão, bate-bates infláveis, bexigasm e muitos outros objetos, devidamente patrocinados por Kaiser, Bradesco,  Correios e outros, ajudam a compor um cenário incrível. Se não houvesse carros alegóricos gigantes lá embaixo, com dezenas de figurantes nas mais extravagantes fantasias, arrisco a dizer que tudo bem, a festa da arquibancada seria a mesma, tal a empolgação de todo mundo.</p>
<p>Exausto e com os braços doloridíssmos (mais de uma hora com os braços levantados e em movimento contínuo) não é mole de aguentar não. A solução era um só: creveja. Aliás, duas: cerveja e mulher. E fomos nós, junto com todo o resto das duas torcidas (quiçá da cidade) para alguns metros abaixo do umbódromo, no entorno da igreja de Nossa Senhora do Carmo. Defronte (adoro essa palavra) à praça da igreja, inúmeros bares esperavam a turba sedenta com cerveja gelada e música alta. Cenário ideal para aglomeração, onde todas as idades, credos, raças e sexos convergiam a partir da meia noite e sabe-se lá até que horas. Tenho certeza que Deus olhava pra mim lá de cima e, lembrando-se do nosso trato e dacota que eu ainda tinha que cumprir,pensava: “Vai lá meu rapaz, me encha de orgulho!”<a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/cool-jesus.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-871" title="cool-jesus" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/cool-jesus.png?w=450" alt=""   /></a></p>
<p>Naquela noite, por acaso Luciano tinha colocado uma camisa da seleção do Paraguai. Depois de meia dúzia de cervejas decidiu que criaria uma persona, Pablo Hernandes, e a partir dali só se comunicaria em espanhol com as mulheres. O sucesso foi imediato,, se a mulherada já se jogava em cima quando flávamos que éramos de São Paulo, imagina de um estrangeiro, mesmo que paraguaio falsificado? Nem as inúmeras gafes cometidas, como por exemplo dizer que era de Punta Del Este, que fica no Uruguai, ou abusar de palavras em italiano vindas diretamente da novela Passione, como se fosem castelhano, diminuiu o interesse do sexo oposto. Ele tornou-se, então, o centro das atrações, o ímã que uxava as mulheres. A mim só restou bancar o peixe piloto e ficar à sua sombra, aproveitando as mulheres que apareciam.</p>
<p>Mas não deu para pasar o rodo em qualquer coisa que aparecesse pela frente, porque sub-repticiamente apareceu ela. Alta, morena, longos cabelos pretos escorridos, um portento, como diria meu avô o velho Stan. Aliás, quem chegou primeiro foram os seios, e alguns segundos depois, ela. Vestia um top que não escondia nada seus vastos atributos frontas, reassalva-os inclusive. Como se não fosse perdição suficiente para uma mente fértil como a minha, ainda tinha as coxas, cujo tamanho era inversamente proporcional à do microshort branco que usava. Era tudo o que eu tinha pedido para aquela noite e um pouco mais, aliás bastante mais, de bônus. Entretando ela se aproximou de nós pelo lado em que o homem mais próximo era ele, o ícone, a lenda, o mito, Bledmilson. Rapidamente Blédi abordou-a e começou uma aula de cavalheirismo e de como se cortejar uma dama no meio da floresta. Cumprimentou-a, perguntou seu nome, nos apresentou e sem mais perder tempo, disparou:</p>
<p>- Mas tú tá um espetáculo de gostosa, hein? Bora fudê?</p>
<p>Eu confesso que fiquei mais espantado que ela, que apenas rui e negou gentilmente o convite. Mas Bledmilson não era o ícone, a lenda, o mito à toa. Uma das qualidades dele era a perseverança:</p>
<p>- Vamo lá, rapidinho. Bora fudê. Te pago o motel. Você vai gostar.</p>
<p>Meu primeiro impulso foi pedir desculpa a ela pelo Blédi, ele não sabe o que está dizendo, bebeu demais e essas coisas, mas só olhei para o outro lado como que querendo me desligar daquele diálogo. Posso jurar que ela não só não ficou nada ofendida, como se fosse outra pessoa que não Bledmilson, o ícone,a lenda, o mito, tinha grandes chances de ela ter aceitado. Depois de novamente declinar da proposta de Bédi, ela começosar comigo e, sem toda a eloquência dele, acabei ´ropondo a mesmissima coisa depois de algum tempo de conversa. Para meu júbilo e regozijo ela aceitou e fomos para o motel, um dos únicos dois da cidade. Vinte reais o quarto, pagos adiantados, por meia hora. Como tinha fila de espera, não tinha como pagar por mais de trinta minutos. Pagava, usava, saía e, se quisesse mais meia hora, esperava algum quarto vagar novamente. Quem era eu para reclaEu era o de fora, tinha que seguir as regmar? Ras deles. Além do que, com uma mulher daquele tamanho, eu sinceramente cheguei a temer pela minha integridade física. Meia hora estava mais do que suficiente. Entramos no quarto e, pouco antes do bem-bom, ela me avisa:</p>
<p>- Só não podemos demorar muito que eu tenho que voltar rápido para casa.Meu marido está me esperando.</p>
<p>Marido? Outra casada? Eu estava com ímã de mulheres comprometidas ou era só uma coincidência absurda? Parei de pensar nisso depois que lembrei do episódio da tarde, com a mulher do cara da casa que eu estava ficando se jogando em cima de mim. É, esse era o esquema lá mesmo, a fidelidade não era algo muito em alta. E aí ela tirou a roupa e eu parei de pensar em qualquer outra coisa.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 35</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 17:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Como já mencionado, o calor absurdo de uma sauna mista impede que qualquer pessoa durma além das 9 da manhã. Qualquer pessoa normal, diga-se de passagem, já que Luciano é uma caso à parte e, tendo dormido andando certa vez, obviamente não se incomodava om o calor e tampouco com toda a algazarra feita pela família, crianças, agregados e tantos outros desconhecidos que apareciam e sumiam repentinamente da casa de Dona Marieta, e  curtia seu sono tranquilamente na rede.</p>
<p>Assim que acordei, tomei banho e café e já fui cercado por olhares suplicantes de Grande e Dênis, os dois homens da casa, que estavam sedentos por cerveja. Não pediram diretamente, mas Grande, que estava fritando alguns peixes (que nós havíamos comprado no dia anterior) tratou de deixar claro como aqueles peixes ficariam bem melhores se acompanhados de uma cerveja. Dei o dinheiro para um dos moleques que estava por ali e ele tratou de ir pegar cinco cervejas rapidamente. E assim começamos umas 10 da manhã e seguimos durante toda a tarde: cerveja e conversa fora (eu garantia a cerveja e eles a onversa fora) e o Luciano dormindo impassível na rede. Foi aí que eu aprendi muito mais sobre a dinâmica da casa da Dona Marieta, dos seus moradores e, por assim dizer, do povo de Parintins em geral.</p>
<p>Dona Marieta tinha dois filhos: Dênis (diminutivo de algo muito pior, tipo Denisvaldson ou algo assim), quase 30 anos, também conhecido (por nós) como Jeremias Muito Louco, que foi abandonado pela mãe biológica ainda na tenra idade e foi adotado por Dona Marieta; e Eliana, de 18, 19 anos, ela sim filha de sangue. Dênis era casado com Márcia, 25 anos, e já tinham 3 filhos, com idades entre 11 e 1 ano. Como podemos observar pela matemática, casaram-se quando ela tinha uns 13 anos e ficou grávida. Eliane era casada com Silvano, cujo apelido era Grande. Eu ainda era um pouco maior que ele, mas dada a estatura das demais pesoas de lá, ele era realmente grande. Tinha emigrado do sertão da Paraíba e casara-se com Eliane quando la tinha 16 anos. inham um filho de 1 ano. Além dos cinco adultos e de quatro ciancas, viviam ainda na casa mais dois moleques, adolescentes de idades que não me recordo, msa que era sobrinhos de sei lá quem, e que por algum acaso do destino tinham sido abrigados lá. À essa tropa todo dia unia-se amigos, tios, tias, primos e mais um batalhão de familiares e agregados, que iam e vinham, apareciam e sumiam de acordo com uma lógica que não fui capaz de entender completamente.  A certa altura eu não sabia mais quem era quem, se eu já tinha sido apresentado a fulano ou beltrana ou não. Na dúvida sorria pra todo mundo e conversava como se fôssemos velhos amigos.</p>
<p>A tarde foi avançando e as viagens do moleque para pegar cerveja foram se tornando cada vez frequqentes, o pessoal da casa foi enxugando álcool e as coisas omeçaram a ficar cada vez mais, como direi, pitorescas. Conforme fui conhecendo cada um mais a fundo, e eles foram se abrindo e contando suas histórias e seus dramas pessoais pra mim, vi que aquela casa dava um enredo digno de novela mexicana.</p>
<p>Começou com Eliane. Durante toda a tarde aquela carinha de anjo me lancava olhares altamente lascivos, que eu no começo fingia não perceber, mas quando ela começou a passar a perna dela na minha, por baixo da mesa de madeira onde estávamos sentados bebendo, não deu para ficar indiferente. Pouco depois do almoço o marido dela, aquele mesmo apelidado de Grande, paraibano cabra-macho que provavelmente resolvia as pendengas no facão, foi dormir.  A Lolita dos rópicos então aproveitou para me dar uma bela prensa do tipo &#8220;E aí paulista, tô aqui e me pega que sou sua. Vai encarar ou é frouxo?&#8221; Confesso que a tentação foi grande, mas tive de usar de muita diplomacia e pular fora. Estava na casa deles, com o marido, cabra-macho paraibano de alcunha de Grande, acostumado a resolver as coisas na faca, era melhor deixar pra outra hora, sabe como é. Ela me confidenciou que estava fazendo isso para se vingar do marido que, ela tinha certeza, tinha um caso com Marcia, a concunhada.</p>
<p>O marido acordou e Eliane arrefeceu nas suas investidas. Repare que eu disse arrefeceu, não disse parou. E a cerveja continuou vindo em profusão, o álcool acabou fazendo Silvano, aka Grande, também se confessar comigo. Talvez para mostrar macheza ou paulista recém-chegado, sabe-se lá o porquê, disse que tinha, sim, um caso com a concunhada e com mais algumas mulheres da vizinhança.</p>
<p>No some e aparece das pessoas, Silvano, o Grande, sumiu para fazer sabe-se lá o que e Dênis, que era a cara do Jeremias muito louco (não sabe do que se trata? Veja aqui) sentou-se ao meu lado. Completamente embriagado, aproveitou a presenca de um estranho, suponho, para desabafar. Disse que tinha se casado com a esposa porque ela ficara grávida muito cedo, que sabia que ela tinha alguns amantes, inclusive Silvano. Chegou atee mesmo a botar em dúvida a paternidade de algum dos filhos. Como conservavam os traços indígenas da mãe, era dificil afirmar se ele estava com alguma razão ou não.</p>
<p>Lá pro fim do dia, nova substituição na equipe, sai Dênis &#8220;Jeremias muito louco&#8221; e chega Dona Marieta, a matriarca da casa. Já chegou me aconselhando:</p>
<p>- Meu filho, tome cuidado com a Márcia. Tá doidinha para dar para você. Nnao pode ver um moço novo e bonito assim que já fica toda assanhada.</p>
<p>Diante da minha cara de espanto, e do  alto de toda a sua sabedoria de trocentos anos, profere as palavras definitivas:</p>
<p>- Aqui é assim mesmo, todo mundo trepa com todo mundo, todo mundo sabe, mas finge que não vê. Assim fica melhor pra todo mundo.</p>
<p>omo que confirmando as palavras de Dona Marieta, quando ela se retirou voltou Eliana, com toda a carga o quesito &#8220;vamos seduzir o paulista&#8221;. E aí, só aí, é que o Luciano resolveu acordar e pegou no pulo toda a tensão sexual entre eu e ela. Ao percebê-lo, ela se retirou e ele veio tirar satisfação:</p>
<p>- Tá louco? Dando em cima da mulher do Grande?</p>
<p>Não posso culpá-lo pela inversão nos papeis, fosse ele com ela eu também teria achado que ela era a vítima.</p>
<p>- Da missa você não sabe nem a metade, meu amigo.</p>
<p>E contei toda a história. No final das contas não aconteceu nada porque eu não quis, mas eu fiquei muito mais familiarizado com a cultura local. E minha consciência menos pesada pela casada da noite anterior.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 34</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 02:46:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Dia 24 de junho</p>
<p>Local: Parintins &#8211; AM</p>
<p>Depois da apresentação da primeira noite no bumbódromo, era a hora da farra. A festa dos bois era incrível, uma expressão inigualável da cultura amazônica (e brasileira, por que não?) eu saia muito mais rico com minha bagagem cultural enriquecida sobremaneira, tudo isso. Mas, depois de alimentado o espírito, era a hora de satisfazer os prazeres do corpo e, nesse quesito, cerveja e mulher, não necessariamente nessa ordem, eram imbatíveis.</p>
<p>Mesmo esvaziado o Bumbódromo, os bares no entorno ainda estavam cheios de gente e pareciam um bom lugar para começar. Sentamos todos em uma mesa e oca descer cerveja (que no entorno do Bumbódromo era um pouco mais cara, tipo 3 reais). Em todos os bares que já estive pelo Brasil afora, sempre que eu sento na mesa, e essa viagem teve inúmeras provas disso, ligo o radar em busca de mulheres próximas, que possam ser abordadas. Mas em Parintins aconteceu um fenômeno como nunca antes: eram as mulheres que olhavam para a gente e, acredite se quiser, depois de determinado momento o entorno da osa mesa estava cheio delas. Não sei se era nosso sotaque, nossa cara de forasteiros ou  quantidade descomunal de garrafas de cerveja em cima da mesa, ou tudo junto. Fato é que pela primeira vez na vida eu tinha um leque considerável de opções e, com grande chance de sucesso, poderia escolher com quem ficar.</p>
<p>Depois de uma análise minuciosa de todas as messa que estavam por perto, e de usa espectivas ocupantes, achei a que considerava a mais bonita, e promissora, delas. Eu sou um românico por natureza, amante à moda antiga, e resolvi que melhor que uma abordagem direta na mesa dela, antes de mais nada seria legal uma troca de olhares a distância, uma certa dissimulação de que não está interessado quando a outra pessoa olha, sorrisos meio envergonhados quando percebe que foi pego no pulo encarando a pessoas, essas coisas todas. Comecei então a olhar fixamente meu alvo, uma morena de cabelos pretos lisos, pele um quê de jambo e traços levemente índios. No war das raças, eu já tinha conquistado brancas, negras, louras, ruivas, orientais. Índia (ou mameluca, como era o caso) ainda faltava e essa era a chance perfeita. Joguei todo o charme que Deus me deu (que obviamente é próximo de zero) e mesmo assim deu resultado. Aliás, deu mais resultado do que o esperado.</p>
<p>Minha musa mameluca estava a algumas mesas de distância e no caminho do meu olhar até ela obviamente haviam outras mulheres. Uma delas, que estava posicionada bem na mesa à frente da minha futura paixão amazônica percebeu que eu olhava incessantemente para aqueles lados e teve a certeza de que eu a cortejava. Sem pensar duas vezes, levantou e veio em nossa direção. uando percebi isso, ainda desejei mentalmente com toda a força &#8220;Não, você não! Não venha aqui para a mesa&#8221; E onforme ela vinha se aproximando eu aumentava o fervor dos meus pedidos &#8220;Não venha! Ela não! Ela não!&#8230; Ela sim? Ela sim&#8230;&#8221; e ela chegou.Se apresentou, falou qualquer coisa sobre querer muito me conhecer, que estava me olhando de longe e blá blá blá.  E agora, o que eu devia fazer? Mandar passear seria indelicado, mas ficar aos beijos também não era uma opção. Tentei bucar, na base do olhar suplicante, uma resposta com Luciano ou Bledmilson. Foi aí que vi Bledmílson olhando para a menina interessadíssimo, e tudo se resolveu. Puxei uma cadeira e coloquei entre eu e Blédi, e a convidei para sentar. Conversamos um pouco e eu tentava sistematicamente jogá-la nos braços de Bládi, cheio de amor para dar. Não que ela estivesse minimamente interessada nele, &#8220;mas desculpa minha filha, é a sua única opção&#8221; só faltou eu dizer a ela. Para reforçar isso, a certa altura levantei e fui até a mesa da minha affair amazônico, que eu continuei olhando mesmo com a outra sentada na minha mesa. Meia dúzia de palavras, se tanto, e eu já estava sentado ao lado dela, conversando animadamente. A outra que se virasse com Bledmílson.</p>
<p>Como eu suspeitava, não demorou quase nada para estarmos um nos braços do outro, trocando beijos apaixonados. Depois de um bom tempo naquele amassa amassa gostoso, brinquei com ela:</p>
<p>- Estamos num fogo que até parecemos recém casados.</p>
<p>- É, mas só parece mesmo, porque eu já sou casada.</p>
<p>- Hãn?  Como assim, casada? &#8211; me afastei dela meio que num impulso &#8211; E seu marido, cadê?</p>
<p>- Não se preocupe não, que ele ficou hoje em casa cuidando do nosso bebê.</p>
<p>Como assim, bebê? Dei uma balançada. Estava em plena praça pública, de um lugar pequeno como Parintins, onde todo mundo se conhece, dando altas catracadas com uma mulher casada, que acabara de dar à luz há poucos meses? Era roteiro de crime passional, por vingança, e plenamente justificável, pensei. uando disse isso a ela, ela repetiu um não se preocupe. Chegou bem mais perto e propôs que, se eu estava assim tão preocupado, que saíssemos de lá e fôssemos para um local mais reservado. Teria dito não, é claro, mas enquanto falava ela fazia umas coisas com a língua no meu ouvido que minhanossasenhora era difícil não quere ver o que mais ela podia fazer com aquela língua.</p>
<p>De modo que eu sucumbi e quebrei uma das minhas (poucas) regras que eu até então seguia: não se meter com mulher comprometida. Mas era Parintins, meio da floresta, longe de tudo e de todos (menos do amrido dela) e ela era mameluca. Eram coisas demais para eu desprezar. Saímos de lá e só retornei para a casa horas depois, feliz da vida e sem me arrepender de ter ido conferir todo o potencial dquela língua.</p>
<p>(coninua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 33</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 20:13:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cronista]]></category>
		<category><![CDATA[Férias da Redenção]]></category>
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		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Tendo contado com a sorte e colhendo os dividendos dos inúmeros contatos feitos na viagem de barco até Parintins, entramos no bumbódromo. Agora era tomar a decisão crucial: para qual boi torcer? Eu podia ser Caprichoso, o boi preto com estrela na testa, da cor predominante azul. Ou podia ser Garantido, o boi branco com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=838&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tendo contado com a sorte e colhendo os dividendos dos inúmeros contatos feitos na viagem de barco até Parintins, entramos no bumbódromo. Agora era tomar a decisão crucial: para qual boi torcer?</p>
<p>Eu podia ser Caprichoso, o boi preto com estrela na testa, da cor predominante azul.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/100_2725.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-841" title="100_2725" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/100_2725.jpg?w=450&#038;h=600" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
<p>Ou podia ser Garantido, o boi branco com coração na testa, da cor predominante vermelha.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/100_2726.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-842" title="100_2726" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/100_2726.jpg?w=450&#038;h=600" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
<p>Olhando bem pra cara dos dois, achei o preto mais intimidador. Além do que, um coração na testa não ajudava o Garantido a parecer lá muito másculo.</p>
<p>Caprichoso 1, Garantido zero.</p>
<p>Segunda informação recebida: Caprichoso é a agremiação da elite. Garantido, a do povão. Numa analogia com o futebol, é mais ou menos dizer que um é São Paulo, o outro Corinthians. Aí, não tenho nem dúvida sobre quem escolher.</p>
<p>Caprichoso 2, Garantido zero.</p>
<p>Mas o que realmente me fez definir para quem torcer, foi a história dos dois bois e o porquê do nome deles. Diz-se que anos atrás havia um poeta, casado com uma mulher lindíssima. E havia um trovador, vizinho do poeta, que também se apaixonou pela mulher. Numa das festas do boi o trovador, para tentar conquistar a moça, resolveu criar o seu próprio boi e, para provocar o poeta, ameaçou: &#8220;É bom o poeta ficar de olho na mulher dele para eu não roubá-la para mim, porque hoje estou indo caprichoso.&#8221;</p>
<p>O poeta, comunicado do fato, contra-atacou criando também o seu próprio boi elançou um ultimato em resposta: &#8220;Fala para ele que nem adianta vir para cima da minha mulher, porque ela não me troca por ninguém. Aqui tá garantido.&#8221;</p>
<p>Ou seja, enquanto o poeta do Garantido era casado, tinha uma família, o trovador do Caprichoso queria era tumultuar a ordem estabelecida. Ou seja, na essência eu era muito mais parecido com um do que com outro.</p>
<p>Placar final Caprichoso 3, Garantido zero. Eu já tinha escolhido meu boi.</p>
<p>A festa em si é espetacular, surpreendente mesmo. A apresentação conta, como nas escolas de samba do carnaval, com quesitos obigatórios. A história contada é a do casal que trabalhava numa fazenda. Grávida, a mulher sentiu desejo de comer carne e, sem ter dinheiro para comprar, o marido acabou matando o boi que vivia na fazenda. Acontece que o boi era o animal preferido da sinhá, a filha do dono da fazenda. Com medo de sofrer uma punição do dono da fazenda, ele chama os espíritos amazônicos, que ressucitam o boi. Mas não um boi comum, e sim um boi de pano, que viveria para sempre. A essa lenda são entremeadas outras lendas e personagens folclóricos amazônicos, diferentes a cada noite, com carros alegóricos, fantasias e músicas distintas para cada apresentação. Tudo lindo, cheio de detalhes, visualmente magnífico.</p>
<p>E a tocida é um espetáculo à parte. Três instrutores passam os 90 minutos de cada apresentação guiando a coreografia da torcida. Simplesmente sensacional.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/caprichoso.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-845" title="caprichoso" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/caprichoso.jpg?w=450&#038;h=324" alt="" width="450" height="324" /></a></p>
<p>Um espetáculo inesquecível, que deve ser visto por todo mundo. E eu, iz questão de ver todas as noites, mesmo sabendo que fora do bumbódromo o pau comia e a farra era imensa. Mas, mesmo assim, ainda deu pra curtir a cidade e os milhares de turistas que invadiram a ilha.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 32</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 03:24:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cronista]]></category>
		<category><![CDATA[Férias da Redenção]]></category>
		<category><![CDATA[Turista]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Com urubu ou sem urubu o fato é que o frango do almoço ficou muito bom, cheio de temperos regionais, e de lambuja alguns peixes de água doce que nunca vi antes, como gelaqui, e  outros que de forma alguma conseguirei lembrar os nomes. Depois de encher o bucho, o mais sensato seria dar uma dormidinha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=825&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com urubu ou sem urubu o fato é que o frango do almoço ficou muito bom, cheio de temperos regionais, e de lambuja alguns peixes de água doce que nunca vi antes, como gelaqui, e  outros que de forma alguma conseguirei lembrar os nomes. Depois de encher o bucho, o mais sensato seria dar uma dormidinha na rede, pra aguentar a noite (e compensar a noite maldormida no barco), mas quem disse que eu consegui? Experimente dormir numa sauna úmida e você entenderá. A solução foi ir até um boteco perto da casa e passar a tarde jogando bilhar e tomando cerveja. Claro que o melhor dos bares das redondezas tinha aquele clima acolhedor</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2629.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-827" title="100_2629" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2629.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Do alto de seus anos de experiência, Bledmilson, o ícone, a lenda, omito, nos advertiu:</p>
<p>- Esse povo gosta de quatro coisas: óculos escuros, celular, tirar foto e pedir.</p>
<p>E, com efeito, o que os nossos anfitriões, e os amigos deles, e os amigos dos amigos deles,  mais fizeram foi pedir. Pediram ficha de bilhar. Pediram cerveja. Pediram salgadinho. Pediram bala. Pediram mais cerveja. Pediram mais ficha de bilhar. Pediram tira-gosto. Para fazer amizade com aquela gente simpatissíssima, e com as coisas baratíssimas, não negávamos nada. No bilhar, a dupla formada por mim e Luciano era imbatível (óbvio que muito mais por causa dele do que de mim) e em cada partida disputada com diferentes duplas locais, apostávamos uma cerveja. Claro que eles aceitavam todas as apostas, pois apesar de perder, fomos nós que pagamos a conta no final. Claro que, por sermos de fora, atraímos um monte de curiosos que foram ver quem eram &#8220;os dois moço&#8221; de São Paulo. Homens, mulheres, crianças, gente de todo tipo se aglomerou para nos ver jogar. Curti meu momento de celebridade e ganhei até torcida e fã-clube.</p>
<p>Chegou o fim da tarde e, com ele, o principal motivo de irmos até Parintins: a apresentação dos bois. Para entrar no bumbódromo, você tem dois jeitos: um, paga um ingresso e assiste tudo num camarote com ar condicionado e mordomias ou dois, pega uma fila enorme e entra de graça e vê tudo da arquibancada. Como os ingressos já estavam esotados há mais de mês, eu só tinha uma alternativa. O problema é que as filas começavam a se formar nos portões do bumbódromo já pelo meio dia, e sem chance de passar horas encarando uma fila debaixo do escaldante sol amazônico. Fomos para o bumbódromo para tentar achar uma terceira maneira de entrar, sem precisar pagar e sem pegar filas. Mole mole.</p>
<p>O bumbódromo impressiona pelo tamanho e pela arte nos muros em todo seu entorno. Entorno esse que rodei todinho procurando alguma brecha pra entrar.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/27062011252.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-834" title="27062011251" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/27062011251.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/27062011253.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-835" title="27062011252" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/27062011252.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/27062011253.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-836" title="27062011253" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2012/01/27062011253.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Rodei e rodei e rodei sem sucesso, não consegui entrar. Quando não tinha mais esperanças de ver a apreentação, ouço uma voz feminina:</p>
<p>- Paulo? Oi Paulo!</p>
<p>Me viro e dou de cara com uma menina acompanhada de outras duas. O rosto não me era estranho, mas eu definitivamente não lembrava de onde a conhecia tampouco seu nome. Mas são anos e anos esquecendo de feições e nomes de pessoas, então já sou craque em conversar como se tivesse plena consciência de quem era a desconhecida. Uma rápida conversa e descobri que eu a tinha conhecido no barco e que, sorte das sortes, o cunhado dela era policial militar que fazia a segurança do bumbódromo. Era a chance que eu estava procurando para entrar sem pegar fila. E assim foi, entramos na mamata para ver o espetáculo.</p>
<p>(continua)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 31</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Dec 2011 00:12:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/100_2600.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-813" title="100_2600" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/100_2600.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Chegamos em Parintins por volta do meio dia da sexta-feira. Nada como sol a pino no meio da floresta e camiseta colando no corpo para dar as boas-vindas. Logo no porto já fomos abordados por uma mulher que oferecia um quarto de hotel com ar condicionado e camas. Confesso que, depois de vinte e quatro horas no barco, dormindo em redes, a ideia nos tentou por una dois segundos e meio. Mas aí lembramos que não teríamos a companhia prodigiosa de Bledmilson, a lenda, o ícone, o mito. Além do que, qual a graça de ir pros confins da Amazônia e não passar uns dias como o povo local? Declinamos e seguimos para aquela que seria nossa humilde morada nos próximos dias.</p>
<p>Bledmilson, a lenda, o ícone, o mito, tinha advertido de que a casa era simples, mas nda podia ter me preparado para o que eu encontrei.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2627.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-817" title="100_2627" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2627.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Na casa, de chão batido, sem qualquer tipo de acabamento ou forro, havia apenas dois cômodos. Nós fomos levados até o quintal nos fundos da casa, e á seria o nosso dormitório. O quintal era coberto com palha, e as redes foram penduradas nos troncos que sustentavam a cobertura de palha. O banheiro, único na casa, não tinha luz e resumia-se a uma fossa asséptica com uma privada por cima (provavelmente pra ninguém errar o alvo) e um cano d´água ligado a um poço artesiano, de onde jorrava a água o tempo todo. Imediatamente afastei da minha cabeça o pensamento de como podiam estar tão pertos um do outro uma fossa asséptica e um poço artesiano. Se eu pensasse nisso jamais tomaria banho.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2617.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-819" title="100_2617" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2617.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Ao fundo do quintal, uma mesa de madeira maciça e uma caixa d´água que era de onde pegavam a água para beber, cozinhar, etc. A mesa, acabei descobrindo com o tempo, servia para tudo: preparar comida, jogar cartas, trocar os bebês, tudo. Precisava de apoio para fazer qualquer coisa? Era só usar a mesa.</p>
<p>Mas o que tinha de simples nossas acomodações, o pessoal da casa compensava, com sobras, em atenção, cordialidade e calor humano. Todo mundo muito simpático e solíscito, daqeules tipos ótimos de se jogar conversa fora, apesar ddo óbvio e gigantesco abismo da realidade de cada um de nós. A dona da casa era Dona Mrieta, uma senhorinha simpatissíssima de seus pra lá de oitenta anos, e cujas palavras eu não entendia absolutamente nada quando falava. Não perdia uma noite do Boi Caprichoso, fã fervorosa que era. Por ela, tornei-me Caprichoso também.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2636.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-820" title="100_2636" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2636.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Firmamos um acordo tácito de que eu, Luciano, Bledmilson e Chica, os hóspedes, é que seríamos responsáveis por prover comida e bebida para todo mundo da casa enquanto estivéssemos lá.  Demos dinheiro e a molecada saiu atrás de frango, peixe, farinha, arroz e legumes. Ah, e cerveja, claro. Em minutos estavam de volta e uma das indiazinhas da casa começou a preparar o almoço. Onde? Em cima da mesa de madeira maciça no fim do quintal, claro. Limpou o peixe, limpou o frango e deixou tudo ali em cima da mesa quando entrou na casa para preparar o arroz no fogão.  Eis que, para minha surpresa, pousa um urubu em cima da mesa e vai lentamente chegando perto das carnes. Chegou mais perto, chegou mais perto, chegou mais perto&#8230; até que ficou ao alcance do seu bico e ele deu uma bicadinha despretensiosa em um pedacinho. Parou e olhou para nós. Ninguém sequer se importou. Ele deu outra bicada. Achei que só eu tinha visto aquilo, chamei o Luciano:</p>
<p>- Luciano, eu tô vendo coisas ou ali é um urubu bicando as carnes que vamos comer?</p>
<p>Ele ficou tão pasmo quanto eu, e resolvi falar mais alto, num tom de brincadeira, tentando não demonstrar nojo nem nada:</p>
<p>- Olha o urubu ali na nossa comida.</p>
<p>Eis que prontamente o marido da indiazinha que estava preparando o almoço responde:</p>
<p>- Ah, fica tranquilo. Ele faz mal não. É como se fosse nosso animal de estimação.</p>
<p>E continuou mais preocupado em abrir as cervejas e nos servir nos copos. Fiz uma cara de &#8220;paciência, né?&#8221; pro Luciano. Já que estamos na casa deles, vamos seguir as regras deles. E, do mesmo jeito que fiz com a fossa asséptica e o poço artesiano, bloqueei o urubu comendo nosso almoço da minha cabeça e tomei um gole de cerveja.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2624.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-821" title="100_2624" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/12/100_2624.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>(continua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 30</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 18:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Férias da Redenção]]></category>
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		<description><![CDATA[Tá certo que essas férias até agora já tinham sido sensacionais: Recife, Olinda, Porto de Galinhas, São João de Caruaru e de Campina Grande, João Pessoa e Manaus. Eu tinha visto, feito, comido e bebido muita coisa diferente, conhecido e conversado com uma gama inesquecível de tipos brasileiros.  Mas elas não seriam completas se eu perdesse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=792&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tá certo que essas férias até agora já tinham sido sensacionais: Recife, Olinda, Porto de Galinhas, São João de Caruaru e de Campina Grande, João Pessoa e Manaus. Eu tinha visto, feito, comido e bebido muita coisa diferente, conhecido e conversado com uma gama inesquecível de tipos brasileiros.  Mas elas não seriam completas se eu perdesse a última parte da viagem: o Festival dos Bois de Parintins. Mas com o barco pravisto para sair 14h do porto de Manaus, e eu acordando 13h45, numa ressaca horrorosa, essa era uma possibilidade bem real. Acodei de um pulo , acordei o Luciano, fiz a mala como deu e saímos correndo. Nada de banho, nem água gelada para amenizar a ressaca, nada. Deve ser por isso que eu cometi um erro imperdoável: na correria, deixai para tras Gorniakinho (vulgo Kinho), o leal boneco de pano que me acompanhara até aqui. Só me dei conta no barco, onde fiz um brinde à memória de Kinho.  Óbvio que corri à toa. Esqueci que estava em Manaus, e pontualidade não é o forte. Aliás, tudo fica mais lento e, portanto, qualquer horário fica difícil de ser cumprido com um calor daqueles. Deu tempo de comprar a água no meio do caminho para poder tomar um remédio contra a dor de cabeça e providenciar o principal: uma rede para dormir, já que passaríamos a noite navegando. A chegada em Parintins estava prevista para meio dia do dia seguinte. Pelo valor das redes, acabamos comprando uma de solteira cada um mesmo, afinal, quem vai parar para dormir, pensamos eu e Luciano.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011231.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-803" title="23062011231" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011231.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-804" title="23062011229" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011229.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></p>
<p>O barco para Parintins é uma experiência única, uma viagem que deve ser feita ao menos uma vez. Você pode tentar comprar uma das cabines (a dois mil reais, que se esgotam meses antes da festa) ou pagar 500 reais (250 ida e 250 volta) para ir no convés principal, dormindo na rede. E, apesar do calor, da multidão, do ar condicionado que não funciona, dos banheiros que você pode imaginar como são, a viagem é uma farra. Você chega, arma a sua rede onde der, deixa sua mala embaixo da sua rede e reza para ninguém mexer nela. Para evitar ou amenizar possíveis roubos, o interessante e fazer amizade com seus vizinhos de rede.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011226.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-797" title="23062011226" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011226.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/foto-0089.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-798" title="Foto-0089" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/foto-0089.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>A bebida, que pode ser levada ou comprada no bar do barco, rola solta. Um grupo de música se encarrega de animar o povaréu do barco com ao ritmo local e as toadas dos bois de anos passados. Ou seja, é garantia de festa quase o tempo inteiro. E, claro, só gente bonita e clima de paquera.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011243.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-801" title="23062011243" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011243.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>A balbúrdia só deu uma arrefecida quando o barco foi parado pela Guarda Fluvial (que eu nem fazia ideia de que existia) em um posto avançado da Martinha brasileira. Aí tome descer todo mundo, fazer a contagem dos trocentos passageiros, verificar se estava dentro da capacidade da embarcação, conferir se tinha coletes salva-vidas para todos, essas coisas. Ao descer do barco as turmas foram separadas por sexo, mulheres de um ladoe  homens do outro. Aqueles homens que, como direi, gostam de homens, por mais que estivessem fantasiados de mulheres, acabaram vindo para o nosso lado. Foi aí que eu reparei a quantidade enorme de homossexuais que também estavam indo para a festa. Estava comentando com o Luciano que antes só sabia da existência do Boi Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), e que aquela hora é que estava conhecendo o terceiro boi de Parintins: o Boiola, rosa, obviamente, quando o rapaz atrás de mim me alerta:</p>
<p>- É, precisa ficar bem esperto lá em Parintins, pra não levar gato por lebre. Tem muita mulher lá que você dá uns amassos todo feliz e, quando vai ver, elas têm uma supresa pendurada.</p>
<p>Essa foi a primeira das pérolas de um ícone, uma lenda, um mito que conhecemos na viagem: Bledmílson. Manauara da gema, cheio dos trambiques e dos causos mais nebulosos e mal explicados possíveis, mas de extrema simpatia e sincera cordialidade, era uma figuraça.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/100_2618.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-802" title="100_2618" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/100_2618.jpg?w=425&#038;h=294" alt="" width="425" height="294" /></a></p>
<p>Engatamos um animado bate papo sobre mulheres, mulheres de tromba, perigos da AIDS (em Parintins até o padre tá com AIDS, garantiu) e em pouco tempo ele perguntou onde ficaríamos durante a festa.</p>
<p>- Não sei. A ideia é dormir nas redes no próprio barco.</p>
<p>- Mas no barco não pode. Estou indo para a casa de uma senhora muito amiga minha, simples de tudo, mas o pessoal é super-hospitaleiro e atencioso. Não tem perigo de roubo nem nada.</p>
<p>- Pode ser. Não tem problema mesmo irmos para lá?</p>
<p>- Claro que não! Eu os apresento* como meus amigos e tá tudo certo. Só que já aviso, é bem simples mesmo. E o melhor de tudo é que pra arrumar algum lugar para ficar vocês vão pagar uma nota. Lá não, a gente pode deixar todsa as malas sem preocupação.</p>
<p>Embuído do espírito antropológico-científico de imersão total na cultura e na vida local, aceitamos. Pronto, já teríamos um teto em Parintins e ainda por cima economizaríamos a grana da hospedagem, oq ue significava mais cerveja durante a festa. Finda a inspeção da Marinha, tudo certo, continuamos viagem. No barco Blédi (como fazia questão de ser chamado) apresentou-nos sua irmã Chica, que acabou sendo nossa mãezona lá, de atenção e cuidados ilimitados conosco.  Achamos um grupo de amigos de Blédi e passamos várias horas bebendo e jogando conversa fora.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/100_2597.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-807" title="100_2597" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/100_2597.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Até que duas situações convergiram: 1) já estávamos ébrios o bastante e a animação no barco parecia começar a diminuir, uma quantidade considerável de gente começava a se preparar para dormir. Eu e Lucianos percebemos que ou saíamos atrás de mulher aquela hora ou passaríamos o resto da viagem sem. E fomos para guerra. Minha primeira providência foi tirar foto com as dançarinas do grupo que animava o barco. Diziam à boca pequena, inclusive, que uma delas não era totalmente mulher. Em um exame visual, não constatei nenhum gogó ou coisa parecida, mas era melhor não arriscar e esse foi o primeiro de muitos mistérios de Parintins que ficou insolúvel.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011242.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-808" title="23062011242" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/23062011242.jpg?w=450&#038;h=600" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
<p>Não dá para negar. Paulista, branquinho (eu louro, no caso) chama atenção e você se sente um rei numa viagem dessas. Em pouco tempo de peregrinação pelo barco, conversa daqui, conversa dali, já tinhamos inúmeros convites para dividir a rede. Acabei me enfiando em uns cantos bem escuros do barco com uma manauara bem simpática (visualmente falando), alegre e divertida e Luciano sumiu sabe-se lá pra onde. Altas horas da madrugada, ela inventou de ir dormir comigo na minha rede e fazer qualquer coisa a dois revelou-se uma missão impossível. Primeiro porque, devido À quantidade de redes ao redor, toda a discrição era necessária. Uma colcha por cima de nós resolveu isso. Mas aí veio o incômodo de como deveríamos nos posicionar, nós dois, em uma rede de solteiro? Maldita hora que não comprei a rede de casal, pensei comigo. Passamos um tempo tentanto achar um jeito de chegar a algum acordo satisfatório e nada. Desisti e ela lançou um &#8220;peraí&#8221; e sumiu. Na volta, veio com um vestido curtíssimo e segredou ao pé do meu ouvido: &#8220;Estou sem calcinha, pra facilitar.&#8221; A confissão deu novo ânimo, e tome tentar novamente, perna daqui, braço dali, cabeça pra lá, tronco desse jeito&#8230; até que eu tive uma cãibra horrorosa e parei definitivamente de tentar qualquer coisa. Menos mal que dormimos de conchinha (ou o mais próximo disso que deu). Era a única coisa a ser feita.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 29</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 22:32:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Férias da Redenção]]></category>
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		<description><![CDATA[Com a passagem de barco para Parintins comprada para o dia seguinte ao meio dia, só me restava passar o fim de tarde e a noite perambulando por Manaus à espera do voo do Luciano, que chegava pouco depois da meia noite (e que seria o meu companheiro de aventuras nesa etapa final das férias). [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=783&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com a passagem de barco para Parintins comprada para o dia seguinte ao meio dia, só me restava passar o fim de tarde e a noite perambulando por Manaus à espera do voo do Luciano, que chegava pouco depois da meia noite (e que seria o meu companheiro de aventuras nesa etapa final das férias). Uma rápida passada no hostel para uma chuveirada, aproveitei pra perguntar ao atendente do hostel onde a noite seria boa (por boa entenda-se pródiga em mulheres). Era quarta-feira, ele me lembrou de que seria a final da Libertadores, Santos em busca do título, a escolha óbvia era a Praça do Caranguejo.</p>
<p>É mesmo!, pensei com meus botões. Como eu pude esquecer da Praça do Cranguejo?  Ela é uma praça (dããã) cercada de bares, em que as mesas ficam distribuídas nas calçadas e em toda a praça, e os bares espalham telões para a galera assistir os jogos de futebol. Quase um ano atrás eu estive em Manaus e vi a final da Copa do Mundo lá. O atendente, um típico bicho-grilo que veio de algum lugar do Brasil, tomou ayahuasca, achou que a vida boa mesmo estava ali, buscou um jeito de ficar por lá e acabou arrumando aquele trampo, ao me passar as coordenadas para chegar de ônibus na Praça do Caranguejo ainda omplementou:</p>
<p>- Lá a mulherada é insana, bicho. É só ficar ali, paradão, que elas passam contornando a praça de carro e, se gostarem de você, tchum!, te pescam.</p>
<p>- Pescam?</p>
<p>- Sim! Param o carro te chamam para dar uma volta e aí é só alegria  Eu já fui pescado duas vezes. É massa.</p>
<p>É, parecia o lugar certo a ir. O problema é que lá só começaria a ter movimento pelas oito e tantas, nove da noite. Ainda eram pouco antes das seis, o que fazer para enrolar até lá? Puxando pela memória da última visita a Manaus, resolvi rever um outro ponto pitoresco: o Bar do Armando. Ao lado do Teatro Amazonas, ponto turístico obrigatório da cidade, o Bar do Armando era um boteco na acepção mais oiginal da palavra. Seu Armando, um português que provavelmente veio com Cabral nas caravelas, mal humorado, ranzinza e antipático, que não aceita cartões nem cheque e atende de forma toda particular (eufemismo para ríspido) sua clientela, um dia viu o seu sanduíche de pernil figurar como um dos melhores petiscos indicados pela Veja Manaus e o bar acabou virando cult, ponto dos descolados e antenados. Claro que o humor não melhorou nem um pouco, mas os preços do cardápio ganharam um sensível incremento. O fato é que o tal snduíche era bom mesmo e, para ver e ser visto, não tinha lugar igual.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/22062011222.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-785" title="22062011222" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/22062011222.jpg?w=450&#038;h=600" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
<p>Pena que agora, um ano depois da minha primeira visita, o bar já não tinha mais o mesmo encanto e o sanduíche carro-chefe tinha sumido, substituído por uma porção bem chinfrim de pernil. Só os preços e o mau humor continuavam intactos.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/22062011223.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-786" title="22062011223" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/22062011223.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>De qualquer forma eu não tinha mesmo muita opção do que fazer até o jogo do Santos, e na praça em frente ao Teatro Amazonas estava rolando um show ao vivo, então fiquei por ali, bebericando e vendo o movimento. Escureceu, peguei o ônibus e me bandeei até a Praça do Carangueijo. Cheguei ainda relativamente cedo, pouca gente nas mesas, deu pra escolher um local perto de um telão e perto da rua, bem à vista das mulheres que passavam de carro e pescavamseus pretendentes. O lugar encheu de gente mas infelizmente nenhuma das mesas ao meu redor tinha mulher solteira (o approach intermesas de bar havia funcionado que era uma maravilha no nordeste). O jogo correu, cervejas vieram, cervejas foram, o jogo continuou, mais cervejas vieram e cervejas foram (o calor de Manaus é um convite irrecusável à hidratação constante) e no final eu não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo, só que a) o Santos tinha sido campeão e b) pelo jeito as mulheres lá não gostavam muito de peixe-boi, já que nenhuma delas me pescou.</p>
<p><a href="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/22062011224.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-788" title="22062011224" src="http://gorniak.files.wordpress.com/2011/11/22062011224.jpg?w=450&#038;h=337" alt="" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Peguei um táxi e fui ao aeroporto esperar pelo voo do Luciano. Fiquei com o motorista conversando no balcão do quiosque na área de desembarque, eu no chopp Brahma e ele na água, e ele comentou que naquela noite haveria uma festa do chopp, Brahma tal qual eu estava bebendo, em uma casa noturna. Nem bem o Luciano chegou já adiantei-lhe que não iríamos ao hostel guardar as malas, mas sim para uma balada com chopp a vontade. Ele nem piscou e concordou.</p>
<p>Da noite tenho alguns flashes de estar dançando e recebendo um pouco da hospitalidade manauara, mas a lembrança mais confiável é quando eu acordei no hostel no dia seguinte, Luciano dormindo no beliche em cima e olhei para o relógio: estávamos atrasados para pegar o barco, que sairia dali a quinze minutos.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>As férias da Redenção – parte 28</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Nov 2011 03:16:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Existem poucas coisas mais irritantes do que choro de criança. Alto, estridente, entra pelo seu ouvido e se acomoda nos recôndidos mais interiores do seu ser. Odeio choro de criança. E minha cara devia estar transparecendo exatamente isso quando a mulher no assento ao meu lado sorriu amarelo e pediu desculpas pelo choro. &#8220;Está com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=778&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existem poucas coisas mais irritantes do que choro de criança. Alto, estridente, entra pelo seu ouvido e se acomoda nos recôndidos mais interiores do seu ser. Odeio choro de criança. E minha cara devia estar transparecendo exatamente isso quando a mulher no assento ao meu lado sorriu amarelo e pediu desculpas pelo choro. &#8220;Está com febre&#8221;, justificou. Não adiantou e continuei de cara amarrada. Não que eu seja insensível, mas estava tentando dormir. Estávamos no voo de João Pessoa para Manaus e, pra quem já encarou velha reclamona, caruaruense catinguento e pregador evangélico como vizinho de banco,  não seria nada demais aturar uma criança chorando de arrebentar os pulmões se o voo tivesse sido direto. Acontece que ele saiu de João Pessoa ne madrugada de terça para quarta e foi primeiro até São Paulo, onde chegou umas seis da manhã. De lá é que fiz conexão com o vooo para Manaus, que saiu só depois das dez. Então, entre seis e dez da manhã, tive que tentar me acomodar da melhor forma possível em algum banco da sala de embarque do aeroporto, cochilando como dava. Claro que eu mal preguei o olho e por isso meu humor não estava dos melhores. Claro que a criança com febre não tinha nada a ver com isso, não estava nem aí e berrava o máximo que podia. Juro que (perdão pelo trocadilho) a certa altura do voo eu cheguei a bolar o plano perfeito: pegar um Rivotril na mochila, amassar e jogar dentro de um copo d´água, oferecê-lo à maãe da criança &#8220;dá pra ela que água é bom pra baixar a temperatuda&#8221; o bebê tranquilo e todo o avião agradeceria, fim do plano. Mas infelizmente nao tinha nenhum tranquilizante potente desse tipo e me obriguei a fazer uma anotação mental: Rivotril acaba de entrar para a lista dos remédios que você não toma, mas que é sempre bom ter à mão para uma eventualidade, assim como Viagra por exemplo. Tomar não toma, mas vai que, né?</p>
<p>Eternas três horas depois o avião pousou em Manaus e, como já tinha estado na cidade um ano atrás, na final da Copa do Mundo, conhecia o caminho e rapidinho cheguei ao hostel, onde me esparramei na cama. Claro que num quarto coletivo de albergue sem ar condicionado fica praticamente impossível dormir, então em exatos setenta e três segundos depois de deitar, quando eu já estava completamente molhado de suor, desisti da ideia. Levantei e fui para o porto, procurar a passagem para Parintins.</p>
<p>Andando do albergue, você acaba passando pelo mercado municipal, que fica colado ao porto. A fome então deu sinal de vida e me obrigou a pedir um daqueles inúmeros peixes fresquinhos fritos na hora. As condições de higiene não eram nem um pouco recomendáveis, mas eu estava em férias, então quem liga para esses detalhes? Além do que esse era um dos pilares da viagem: experimentar coisas novas e comer o que era típico de cada lugar. E de que outra forma eu poderia desfrutar de uma imersão tão profunda e natural nos peixes amazônicos? Só rezei pedindo proteção, que aquilo não me fizesse mal pois eu ainda tinha uma missão a cumprir e uma festa dos bois pela frente, e comi com gosto (mesmo porque, se eu me esforar, consigo lembrar de ocasiões em que, em matéria de higiene, comi coisa pior).</p>
<p>Terminado o convescote, fui procurar um barco para me levar a Parintins. E é nessa hora que você se lembra das inúmeras reportagens que viu ao longo dos anos no Jornal Nacional de embarcações que naufragaram no rio e morreram não sei quantas pessoas. Tá certo que não dá garantia nenhuma, mas a sensação de segurança é diretamente proporcional ao tamanho do barco, enão fui buscar o maior dentre os disponíveis.  Acabei fechando para mim e para o Luciano, que estava para chegar e iria me acompanhar nessa parte final da jornada, com um barco que eu não lembro o nome (já se vão 4 meses do ocorido e eu não anotei no meu diário de bordo), mas que comportava fácil fácil mais de 500 pessoas. Só rezei, de novo em menos de 10 minutos, para que não estivesse me metendo num Titanic fluvial. Sabia que Ele estava olhando por mim, afinal estava praticamente em uma missão-santa-de-resgate-kármico, mas não custava relembrá-Lo.</p>
<p>Passagens para Parintins garantidas, agora era matar o tempo por Manaus até o dia seguinte, quando partia o navio.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>Um domingo qualquer</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 20:27:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É domingo, fim de tarde, e o sol começa a querer se por no horizonte. Aquele marasmo habitual de fins de tarde de domingo paira no ambiente. Os dois estão sentados na sala, um defronte ao outro. A tevê está desligada (“ver Faustão é deprimente” ela sempre diz) e o silêncio impera. Ele está olhando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=774&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É domingo, fim de tarde, e o sol começa a querer se por no horizonte. Aquele marasmo habitual de fins de tarde de domingo paira no ambiente. Os dois estão sentados na sala, um defronte ao outro. A tevê está desligada (“ver Faustão é deprimente” ela sempre diz) e o silêncio impera. Ele está olhando meio distraidamente para um papel que tem nas mãos, como se seu pensamento estivesse longe, longe. Ela, também com um papel nas mãos, está firme, encarando-o. Segundos se passam e a cena não muda. Até que ele começa a cantarolar “Se”, do Djavan: “E me remete ao frio que vem lá do sul&#8230; Insiste em zero a zero e eu quero um a um&#8230;”</p>
<p>- Água! – diz ela num salto que ele até se assusta.</p>
<p>- Hein?</p>
<p>- Você disse A1. Água! Minha vez!</p>
<p>- Não disse nada. Estava cantarolando&#8230;</p>
<p>- Não quero saber! Você disse “eu quero um A1”! Eu ouvi! Água, pode marcar!Agora é a minha vez. Eu escolho&#8230; xô ver&#8230;</p>
<p>Ele apenas olha para cima e suspira, resignado e continua a batalha naval com ela.</p>
<br />Filed under: <a href='http://gorniak.wordpress.com/category/cronista/'>Cronista</a>, <a href='http://gorniak.wordpress.com/category/uncategorized/'>Uncategorized</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gorniak.wordpress.com/774/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gorniak.wordpress.com/774/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&amp;blog=3542332&amp;post=774&amp;subd=gorniak&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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