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	<title>Blogorniak</title>
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	<description>As mil faces de Gorniak</description>
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		<title>Blogorniak</title>
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		<title>Gorn in Rio – parte 2</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 22:16:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160;
É meio dia quando eu acordei, não havia mais ninguém no dormitório. Tomei um banho rápido como só um banheiro imundo de albergue consegue te forçar e saí começar minhas aventuras pelo Rio de Janeiro. Mas, antes de sair, na recepção do albergue sou parado pelo recepcionista.
- Um minuto, você quem é?
Dou meu nome e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=279&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&nbsp;</p>
<p>É meio dia quando eu acordei, não havia mais ninguém no dormitório. Tomei um banho rápido como só um banheiro imundo de albergue consegue te forçar e saí começar minhas aventuras pelo Rio de Janeiro. Mas, antes de sair, na recepção do albergue sou parado pelo recepcionista.</p>
<p>- Um minuto, você quem é?</p>
<p>Dou meu nome e ele.</p>
<p>(modo carioquês on) &#8211; Ah “cerrrto”, é que ta faltando você acertar sua “ixtadia” né?</p>
<p>Como assim, ta faltando acertar minha estadia? Explico que ao chegar, entreguei à menina que estava na recepção o comprovante de depósito, ele me replica que ela não avisou nada, eu insisto que está tudo certo, ajudo-o a localizar o comprovante, ele diz que não estava nominal mas ok, iria confirmar com ela. Quando eu acho que está tudo certo e já ponho um pé pra fora da porta, ele me chama de novo:</p>
<p>(modo carioquês on) &#8211; Então, mas falta ainda acerrrrrtar a ixtadia dax duax meninaxxx que estão com você.</p>
<p>- Comequié? Que duas meninas?</p>
<p>- Aquelax duax que chegaram contigo.</p>
<p>Pensei em responder “Peraí, meu amigo, não faço a menor idéia de que meninas você esteja falando, infelizmente estou sozinho, se estivesse com duas meninas teria o maior prazer em pagar a diária delas, mas não estou, Inclusive se eu tivesse dinheiro sobrando, pagaria só pra poder posar de o fodão que está acompanhado por duas meninas, mas infelizmente não é o caso, não conheço nenhuma menina, não tenho direito sobrando, então não vou pagar nada”, mas desisti.</p>
<p>- Não estou com ninguém.</p>
<p>Ele faz uma cara de quem não gostou muito, deu vontade de retrucar falando que também não tinha gostado dele, que a menina da manhã era bem mais bonita e simpática, mas desisti de novo e simplesmente me virei e fui embora. Nem sabia direito onde eu ia, só queria sair dali pra não arrumar bate boca, não tava mais levando na esportiva aquela visita ao Rio. Fazia no máximo três horas que eu estava na cidade e nada estava dando certo, parecia haver um complô contra mim. “Eu devo realmente ter muita cara de paulista e isso deve ser pegadinha, só pode. Primeiro dois malandros desarmados vêm me roubar, agora o pessoal do albergue quer levar um a mais. Tiraram o dia para zoar o paulista”, comecei a resmungar mentalmente, fazendo com eu meu humor piorasse a cada minuto. “Só falta encontrar a menina que vai ser minha guia e imediatamente ser brindado com uma história triste qualquer de como os ingressos foram extraviados e não iremos mais a jogo nenhum” . Incrível como nossa mente, quando estimulada, consegue formar os piores cenários possíveis, e eu já estava até levantando a hipótese de sequer conseguir encontrá-la quando passo por um bar onde uma turma enorme de são paulinos bebia animadamente. Rapidamente me entrosei com todos eles e, conversa vai, conversa vem, sou convidado a acompanhá-los ao Maracanã. Bom, dos males o menor, agora se tudo mais falhasse eu já tinha companhia pro estádio e, melhor de tudo, não andaria sozinho por aí para ser o único paulista a ser zuado. Agradeci o convite, mas segui em frente, pois ainda precisaria encontrar a minha desconhecida amiga, que acabava de me ligar dando as coordenadas de como fazer para chegar no apartamento dela. Pelo caminho a pé da Lapa até a Glória, enquanto passava por pessoas das mais estranhas possíveis, com seus panos estendidos na calçada, vendendo as coisas mais improváveis possíveis, me perguntava por que raios tinha me metido naquela aventura no Rio de Janeiro. Enquanto confirmava que havia chegado à rua indicada e buscava o número certo, eu ainda me reprovava mentalmente, definitivamente eu não era mais um moleque, esses arroubos de sair sozinho sem destino deveriam ficar no passado, mais ou menos uma década atrás, quando somos totalmente inconseqüentes. Onde, afinal, eu estava com a cabeça? Nesse exato momento cheguei ao prédio e vi minha amiga na porta me esperando. Ela abriu um sorriso tão sorriso que na hora eu me lembrei do motivo que me trouxe ao Rio.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>Gorn in Rio – parte 1</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 22:38:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de uma hora parado no trânsito, enfim chego à rodoviária. Desembarco em meio a um mundaréu de passageiros. Uma chuva fina bastou para transformar em caos partidas e chegadas, e dezenas de pessoas aguardam para partir em ônibus que já deveriam ter saído ou para receber seus conhecidos que ainda não chegaram em ônibus [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=278&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Depois de uma hora parado no trânsito, enfim chego à rodoviária. Desembarco em meio a um mundaréu de passageiros. Uma chuva fina bastou para transformar em caos partidas e chegadas, e dezenas de pessoas aguardam para partir em ônibus que já deveriam ter saído ou para receber seus conhecidos que ainda não chegaram em ônibus que já eram pra estar lá há tempos. Vendo aquele tumulto todo, resolvo comprar o quanto antes a minha passagem de volta, o que me demora mais uns quarenta minutos na fila do guichê. Assim que consigo ouço alguém às minhas costas: “Não acredito! Chuchu?” Me viro e vejo uma amiga que há tempos não encontrava, sorrindo para mim. Pausa na narração. Esclarecimento importante: “chuchu” é um termo carinhoso ao qual alguns anos atrás eu usava para me referir a toda e qualquer mulher que eu conhecia. Não se tratava de menosprezar dizendo que era sem gosto, era simplesmente uma forma mais fácil de eu não ter que tentar gravar nomes e, repetidamente, fracassar. Claro que elas sempre me chamavam de “chuchu” de volta e, até hoje, ainda trombo com quem me chame assim. Voltemos à narração. Minha amiga está com mais uma menina num albergue em Copabacana e combinamos de fazer algo mais à noite, apesar de estarmos longe um do outro. Elas vão embora num táxi, em sentido inverso ao meu caminho, e eu tomo um ônibus. Pronto, se tudo mais der errado, pelo menos um rosto conhecido eu tenho no Rio. Incrível como quando você está sozinho, procura conversar e fazer amizade com todo mundo: no ônibus que eu pego para a Cinelândia conheço um casal de paulistas, que está procurando albergue pra ficar. Quando expliquei com empolgação do meu achado na Lapa, ao lado da boemia e da farra, eles gentilmente agradecem e vão para outro lugar “queremos ver monumentos e arquitetura”. Bom, cada um com suas prioridades, desço sozinho na Cinelândia e sigo caminhando para o albergue. A chuva não para de cair e me vem à mente a cena-cichê do cara que acaba de chegar na cidade e é surrado, roubado e deixado sem nada desacordado na chuva. Rio da minha idéia besta, mas me convenço de que bandido não sai pra assaltar sete e meia da manhã, e na chuva, certo? Errado. Lá longe vejo vindo na mesmo calçada na minha direção dois típicos malandros de morro. “Vai dar merda” pensei, ao ver que na rua éramos só nós três. “É só manter a calma, vou atravessar a rua e assim, sutilmente, fugir deles.”  Atravesso a rua e, adivinha? Eles também. “É, realmente vai dar merda” voltei a pensar, enquanto eles estavam chegando cada vez mais perto. “Só passar por eles rapidamente, não parar, e rezar pra nada acontecer”, me instruí.  Eles vindo, eu indo, “vai dar merda mesmo” eles mais perto, eu mais perto, “qualquer coisa eu saio correndo”, nenhum dos três dá sinais que vai desviar do caminho, o encontro é iminente, um deles desacelera, o outro passa  já pega na minha mochila e se dirige a mim (mode carioquês on): “Ae, guerrero, perrrdeu.” O da frente já me segura pela camiseta “Seguinte, é um assalto, passa tudo ou te encho de facada”. Olho pra ambos e não vejo arma nenhuma. Se tivessem armaods, levariam o que quisessem, mas já passei da idade de ser intimidado só no grito, forcei a passagem e saí correndo. Eles não vieram atrás e eu só parei quando vi uma viatura de polícia parada. Mas aí eu já estava realmente perto do albergue, que rapidamente achei e entrei. A moça da recepção, muito simpática, enquanto fazia meu cadastro e pegava o comprovante de depósito das diárias, engatou aquele papinho de “primeira vez aqui, etc etc etc” e terminou com um “Você vai ver, vai gostar do Rio, tem muita coisa maneira aqui”. Pensei se deveria responder “É, tenho certeza que será ótimo, até me assaltar já tentaram”, mas achei uma resposta por demais ranzinza, ia contribuir pra ela falar mal dos paulistas, então me contive e virei para o lado, onde tinha um cartaz “Don´t be a gringo. Be a local” que oferecia excursões na favela. “Pronto, tudo certo, seu quarto é subindo a escada, primeira porta a direita”. Subi as escadas e entrei no quarto, onde imperava uma orquestra de roncos. Três beliches estavam ocupados e só um lá no canto tinha um colchão vago. Me acomodei o melhor que pude e resolvi dormir um pouco, para me refazer da madrugada insone no ônibus.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>Gorn in Rio &#8211; Prólogo</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 03:06:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu nunca havia estado mais do que um dia no Rio de Janeiro. O “nunca”, que fique bem entendido, significa “não com idade suficiente para aproveitar o que o Rio tem de melhor, a saber: samba, chope brahma e mulheres-com-sotaque-carioca, não nessa ordem”. Pois eis que, numa conjunção de fatores que muitos diriam ser obra [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=275&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Eu nunca havia estado mais do que um dia no Rio de Janeiro. O “nunca”, que fique bem entendido, significa “não com idade suficiente para aproveitar o que o Rio tem de melhor, a saber: samba, chope brahma e mulheres-com-sotaque-carioca, não nessa ordem”. Pois eis que, numa conjunção de fatores que muitos diriam ser obra de Deus, a) a cidade é escolhida como sede das Olimpíadas de 2016; b) eu descubro que no mesmo fim de semana do feriado do dia das crianças (não sou católico, 12 de outubro é, portanto, dia das crianças) o São Paulo vai jogar no Maracanã e c) uma amiga convida “vem pra cá”, oferecendo-se ainda para ser minha guia ao descobrir (e, como todo carioca, ficar indignado) que eu não conheço praticamente nada da cidade dela. Como prova ainda maior da sua boa vontade, ela monta uma programação regada de samba e chopp brahma e arruma ingressos para o jogo no Maracanã. Tendo acontecido esse alinhamento cósmico, como poderia eu dizer “não”? A única coisa que eu deveria providenciar era a estadia, e, sorte das sortes, encontro um albergue de 20 reais por dia, de frente para os arcos da Lapa. O que mais poderia querer? Pausa na narrativa 1: nunca tendo visto os famosos arcos da Lapa e sabendo que ali é, por tradição, o reduto boêmio, bairro de samba e de bamba, me parecia o lugar perfeito, dado inclusive o valor. Pausa na narrativa 2: um ou outro leitor pode estar pensando “que mané você rapá! A menina te chama pra ir pro Rio, se oferece de guia, te compra ingresso pro maraca e tú não vai pra casa dela?” Esclareço que eu sequer a conhecia, é amiga de um cara que trabalhava comigo e isso de guia + estádio ela faz pra todo mundo, não era porque eu estava com a bola toda. Definidos esses pontos, só para não dar a impressão de que eu sou mais bobo do que realmente sou, posso dar despausa na narrativa.</p>
<p>Eis que chega a sexta-feira a noite, arrumo minha malinha, me meto num ônibus rumo ao Rio e, precisamente sete da manhã do sábado, chego na rodoviária da Cidade Maravilhosa.</p>
<p>(continua)</p>
Posted in Boêmio, Cronista, Gorn in Rio, Romântico, Torcedor, Turista  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gorniak.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gorniak.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gorniak.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gorniak.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gorniak.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gorniak.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gorniak.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gorniak.wordpress.com/275/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gorniak.wordpress.com/275/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gorniak.wordpress.com/275/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=275&subd=gorniak&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Um dia de fúria</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 22:34:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você está na sua casa. O dia não foi nada bom. Teve que ouvir muita merda, arbitrariedade, agüentou injustiças e abuso de poder. Você sente o ódio e a frustração te consumirem. Agora chega, você precisa fazer algo, mostrar pro mundo como se sente, eles sentirão a sua fúria. Você sai pra rua com a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=273&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Você está na sua casa. O dia não foi nada bom. Teve que ouvir muita merda, arbitrariedade, agüentou injustiças e abuso de poder. Você sente o ódio e a frustração te consumirem. Agora chega, você precisa fazer algo, mostrar pro mundo como se sente, eles sentirão a sua fúria. Você sai pra rua com a sua escopeta. Passa uma mulher na calçada e esbarra em você. Ela sequer pede desculpas, sai resmungando. Você nunca a viu, mas não tolera mais esse tipo de atitude. Engatilha a arma, faz mira e atira. BLAM! O corpo da mulher é violentamente arremessado para o meio da rua, onde cai já sem vida. Por isso, não faz a menor diferença o carro que não consegue frear a tempo e passa por cima daquela massa de músculos e sangue. O motorista para e sai em pânico, horrorizado pela cena. Ele olha para você, que ainda está dominado pela raiva. Agora não há volta, você pensa, é minha danação. BLAM! O tiro acerta em cheio o motorista. Um táxi vem atrás e para. Você só tem o tempo de virar e fazer mira. BLAM! Dessa vez o tiro arrebenta o parabrisa e a cabeça do motorista. Sangue e miolos se espalham por todo o veículo. A passageira abre a porta e sai correndo desesperada. Você aponta para ela, que já vai ganhando distância, respira fundo e BLAM. O impacto do tiro nas costas joga a mulher no asfalto. Mais ao longe outros carros param e os motoristas, como os transeuntes, saem correndo. Ao longe já escuta sirenes, alguém chamou a polícia. Você pega um dos carros abandonados e parte em  velocidade. A polícia está em seu encalço, já aparece no retrovisor. Em alta velocidade, você sobe a calçada e atropela três homens que estavam conversando. Um deles rola por cima do carro e o sangue espirra em todas as direções. Gritos de pânico misturam-se com o rock pesado que toca no rádio do carro.  Novos carros surgem das transversais, e a única saída é a via expressa que leva à ponte. Você bate em um carro e atropela um motociclista, jogando-o contra o muro de proteção para conseguir pegar a saída certa. Agora são cinco, seis viaturas policiais na sua cola. À sua frente, o pedágio da ponte. Não dá para parar, então você acelera ainda mais e arrebenta a cancela. Você sai da ponte e volta às ruas da cidade. Seu ódio parece arrefecer, você já não sente mais aquela sede de vingança de antes. Sempre diziam que dar uns tiros era uma tremenda terapia, relaxava mesmo. Mas você foi longe demais, transformou um dia comum num banho de sangue. Os carros de polícia continuam com suas sirenes ensurdecedoras bem atrás de você. Ah, que se dane, você pensa, antes de dar um cavalo de pau e ficar frente a frente com as viaturas. Duas passam direto, você consegue pegar a sua metralhadora e dispara um sem número de tiros contra a terceira, que bate num poste. A quarta emparelha com você e toma uma chuva de tiros. O motorista é ferido e acaba por atravessar o canteiro central da avenida e bater de frente com um veículo que vinha em sentido contrário. Você engata a marcha e sai rasgando pela avenida. Ao fazer a curva a esquerda, perde o controle do carro, sobe na calçada, derruba um hidrante e arrasta uma carrocinha de cachorro quente, juntamente com seu proprietário. Você sai do carro, já bem amassado, e corre até um prédio garagem que está na sua frente. Na entrada do prédio você rende um motorista que estava entrando. Ele fica paralisado de medo dentro do carro, você não tem tempo para isso e puxa o gatilho. O barulho, a pólvora e o sangue estão se tornando por demais familiares a você. Com um movimento rápido você abre a porta do carro, arremessa o corpo inerte para fora e toma o volante. Mais carros de polícia aparecem na ponta da rua, vindo em grande velocidade em sua direção. Você sobe as rampas do estacionamento, até o terraço. O carros de polícia bloqueiam a rampa que é a sua única saída, você está irremediavelmente cercado, mas eles não te pegarão facilmente. Atiradores se posicionam e você se protege atrás do seu carro. Inúmeras balas começam a passar zunindo. Para confundir e tumultuar, você arremessa uma granada na direção das viaturas. Há uma explosão, duas viaturas vão pelos ares, você aproveita faz mira e metralha os policiais. Outra viatura explode e inúmeros policiais morrem. Quando você percebe, um helicóptero da polícia dá um rasante e um atirador procura fazer mira. É a hora certa para o lançador de mísseis, que você prepara e dispara. O míssil deixa uma trilha de fumaça e acerta em cheio o helicóptero, que explode e desaba na avenida abaixo. Os policiais na rampa do estacionamento se reagrupam, novas viaturas chegam, o cerco se aperta. Você toma consciência de que não há escapatória, mas eles jamais o pegarão com vida. Outro helicóptero se aproxima, os tiros Vem de todo o lado. Só há uma coisa a fazer. Você sai correndo se joga do parapeito do edifício. Nos milésimos de segundo em que flutua você abre um sorriso e se sente mais leve, mal se lembra do porquê começou toda essa confusão.</p>
<p>Você morre, mas com a sensação de dever cumprido, já se sente bem mais tranqüilo. Desliga o videogame e vai fazer alguma outra coisa.</p>
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		<title>O sábado à noite é dos bêbados – final</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 02:52:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boêmio]]></category>
		<category><![CDATA[Cronista]]></category>
		<category><![CDATA[Sábado Sóbrio]]></category>

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		<description><![CDATA[- Oi
Ela olhou pra mim com um misto de desinteresse e mau-humor, como se pensasse “Ih, lá vem mais um”. Dei o meu melhor sorriso, aperfeiçoado diariamente com creme dental branqueador, mas que acho que não foi suficiente, porque ela não respondeu nada.
- Tem alguém aqui ou posso me sentar?
Ela me mediu de cima abaixo, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=271&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>- Oi</p>
<p>Ela olhou pra mim com um misto de desinteresse e mau-humor, como se pensasse “Ih, lá vem mais um”. Dei o meu melhor sorriso, aperfeiçoado diariamente com creme dental branqueador, mas que acho que não foi suficiente, porque ela não respondeu nada.</p>
<p>- Tem alguém aqui ou posso me sentar?</p>
<p>Ela me mediu de cima abaixo, sem grande entusiasmo. Até que viu a garrafa de água com gás da minha mão (especulação minha) e viu que eu não era mais um dos bêbados puxadores de cabelo e assentiu:</p>
<p>- Não tem ninguém. Se você quiser&#8230;</p>
<p>No “quiser” eu já estava sentado, mais temendo o fato de que a minha ansiedade me fizesse sair correndo dali do que qualquer outra coisa. Bonita mesmo a menina, seus vinte e (bem) poucos anos, começamos a conversar amenidades, ela até que se mostrou receptiva, mostrei a água, pra reafirmar o conceito de &#8220;eu não sou bêbado” e comentei como estava quente o lugar, ela falou de como tinha gente, estava muito cheio, eu concordei e, como pra quebrar o gelo não há nada melhor que uma piada, mesmo que besta, emendei:</p>
<p>- Pois é, cheio mesmo. Se eu fosse o Belchior, viria aqui tranqüilo, que com certeza ninguém me acharia.</p>
<p>Encarei-a esperando a risada, que seria o sinal de “é, você é engraçado e legal”, mas ao invés disso só vi no rosto dela um ponto de interrogação gigante. Pela idade ela não fazia idéia de quem era Belchior e com certeza não devia imaginar que ele tinha sumido. Bola fora minha. Eu confesso que a piadinha não era boa, mas algum risinho, mesmo de “que merda” deveria arrancar dela, mas ela simplesmente não entendeu. Eu fiquei sem graça, ela continuou sem entender nada e, durante uns três segundos que passamos olhando um para o outro, uma bola de feno rolou do nosso lado. Dei um sorriso amarelo, tomei um gole da água com gás, agora já não tão gelada, pedi licença e fui embora. Pronto agora isso&#8230; precisava achar uma mulher mais nova (ou seja, em melhores condições estéticas) do que a cinquentona e uma mulher mais velha (ou seja, em melhores condições cultuais). E tudo isso sóbrio. Passei um tempo vagando pelos inúmeros ambientes da casa, sem sucesso. Até que eu me toquei que, o tipo de mulher que eu queria era suficientemente esperta para não estar ali, no meio daquela muvuca interminável, era sábado a noite e ela deveria estar fazendo algo bem mais interessante. Isso me fez pensar “E o que eu, então, estou fazendo aqui?” A resposta não veio, então eu fui embora e dormi, com uma grande lição aprendida: o sábado à noite é dos bêbados.</p>
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			<media:title type="html">O Cronista</media:title>
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		<title>O sábado à noite é dos bêbados – parte 3</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 04:27:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cronista]]></category>
		<category><![CDATA[Sábado Sóbrio]]></category>

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		<description><![CDATA[A aglomeração e o empurra-empurra da entrada já começavam a me dar saudade e parecer um fim de semana tranqüilo no campo enquanto eu tentava abrir espaço num mar de gente. Como é que eu conseguia andar nesse rebuliço com tanta desenvoltura antes? Meu amigo viu uma menina vindo no fluxo contrário naquele espreme-espreme, fez [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=269&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A aglomeração e o empurra-empurra da entrada já começavam a me dar saudade e parecer um fim de semana tranqüilo no campo enquanto eu tentava abrir espaço num mar de gente. Como é que eu conseguia andar nesse rebuliço com tanta desenvoltura antes? Meu amigo viu uma menina vindo no fluxo contrário naquele espreme-espreme, fez sua melhor cara de pedreiro e, quando ela emparelhou, pegou no cabelo e deu uma fungada no melhor estilo “mim-tarzan-you-jane”. Senti uma vergonha alheia absurda e já me preparava para um “desculpa ele, ta bêbado”, vi que ela olhou para trás e sorriu! Sorriu! Perae, minha gente, em que mundo estamos? Será que, pra  xaveco, estilo homem das cavernas agora é vintage? Meu amigo, que não tava nem aí para as minhas considerações filosóficas, sumiu atrás da sorridente garota e eu permaneci ali, atônito. Olhei ao redor e, para meu desespero, quase todos abordavam as mulheres desse jeito. Ta certo que pelo espaço disponível não havia muito mais o que fazer, mas mesmo assim não dava pra concordar com aquele tipo de abordagem. Bom, é como telemarketing, se existe é porque funciona com alguém. Encostei no balcão do bar e pedi uma água com gás. Odeio água com gás, mas eu merecia me penitenciar por estar naquele lugar. Não consegui abordar uma alma viva sequer, só consegui constatar que, com o senso crítico lá em cima, minha capacidade de ver mulher feia era tremenda. Isso me fez temer pelas outras dezenas de vezes que eu já tinha ido naquele lugar. Uma coisa é você falar “Já fiz muita merda, já peguei muita mulher feia”, outra é ter a comprovação disso. Resolvi sair do meio daquela multidão e me estabelecer um lugar mais calmo. Acabei indo parar num andar superior que nos meus tempos de cachaceiro encachaçado eu não me lembrava de ter visitado. Ali acabou se revelando o lugar que eu estava procurando: bem mais tranqüilo, com várias mesas onde se viam mulheres sozinhas e que, pela cara, desprezavam o approach “vem cá minha nega” do puxão de cabelo. E, melhor de tudo: era suficientemente escuro! Isso de penumbra sempre me agradou, por me fazer parecer melhor do que eu realmente sou. Vasculhando o ambiente, elegi como alvo uma menina até que bem bonita que estava a pouco metros sentada sozinha. Esperei algum tempo pra ver se realmente não estava acompanhada e, como ninguém apareceu depois de algum tempo, resolvi chegar mais perto e falar oi. Bom, mais fácil pensar do que fazer, descobri porque o álcool era tão bom. Ensaiei uma vez, duas vezes, três vezes e&#8230; não saí do lugar. Comecei a mentalizar mantras e chacras e energias e tudo mais o que podia me ajudar a tomar coragem, “Vai Paulo que você consegue”, “Vai Paulo que você pode”, respirei fundo, dei um grande gole na água com gás, fiz uma careta porque o troço é ruim mesmo e fui.</p>
<p>(continua)</p>
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			<media:title type="html">O Cronista</media:title>
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	</item>
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		<title>Eu, frente e verso</title>
		<link>http://gorniak.wordpress.com/2009/09/14/eu-frente-e-verso/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 03:55:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[(pra quem me pergunta por que não escrevo versos, taí a resposta.  Sempre ficam ruins demais)
Para quem não me conhece
É bom que eu me apresse
E me apresente de forma apropriada
Sou um cara gente boa
Que curte a vida, ri à toa
E gosta de fazer piada
Dizer que sou louro, alto, olhos claros
Configura um daqueles discursos raros
Que palavras [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=266&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>(pra quem me pergunta por que não escrevo versos, taí a resposta.  Sempre ficam ruins demais)</p>
<p>Para quem não me conhece</p>
<p>É bom que eu me apresse</p>
<p>E me apresente de forma apropriada</p>
<p>Sou um cara gente boa</p>
<p>Que curte a vida, ri à toa</p>
<p>E gosta de fazer piada</p>
<p>Dizer que sou louro, alto, olhos claros</p>
<p>Configura um daqueles discursos raros</p>
<p>Que palavras valem mais que a imagem</p>
<p>Porque, apesar de não estar mentindo,</p>
<p>Quem ouve pode achar que sou lindo</p>
<p>O que é, claro, uma grande bobagem</p>
<p>Tenho uma porrada de defeito</p>
<p>Estou bem longe de ser perfeito</p>
<p>Não gosto de mentir ou fazer cena</p>
<p>Sou estranho, gordo e feinho</p>
<p>Mas adoro cafuné, beijo e carinho</p>
<p>Por isso acho que ainda valho à pena</p>
<p>Deixei para o final uma surpresa</p>
<p>Para compensar a falta de beleza</p>
<p>Ganhei uma qualidade inigualável</p>
<p>Não é à toa que tenho dito</p>
<p>Eu realmente acredito</p>
<p>Que sou perfeitamente sustentável</p>
<p>Não gero muito custo, fica aqui a dica</p>
<p>Pra me fazer feliz não precisa ser rica</p>
<p>Basta dar cerveja, comida e amar todo dia</p>
<p>Assim, se por acaso me adotares</p>
<p>Você vai viver no melhor dos lares</p>
<p>E sentir como se ambos ganhássemos na loteria.</p>
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		<item>
		<title>O sábado à noite é dos bêbados – parte 2</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 03:16:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boêmio]]></category>
		<category><![CDATA[Cronista]]></category>
		<category><![CDATA[Sábado Sóbrio]]></category>

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		<description><![CDATA[Fila, empurra-empurra, gente de todo tipo, mezzo bêbados mezzo alegres, se acotovelavam e avançavam aos magotes para dentro. No caixa eu cheguei a balbuciar um “Quanto é pra não entrar? Pago o que for preciso pra fugir daqui”, mas na algazarra ninguém ouviu, a mulher achou que eu tava querendo era uma entrada e, sorridente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=264&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Fila, empurra-empurra, gente de todo tipo, mezzo bêbados mezzo alegres, se acotovelavam e avançavam aos magotes para dentro. No caixa eu cheguei a balbuciar um “Quanto é pra não entrar? Pago o que for preciso pra fugir daqui”, mas na algazarra ninguém ouviu, a mulher achou que eu tava querendo era uma entrada e, sorridente, me esticou uma pulseirinha e o meu troco. Fiquei sem saber exatamente o que fazer, assim que entrei. A casa era grande, várias pistas de dança, palcos, lounges e outros tantos ambientes com todo o nome que você queira dar. O fato é que a vida toda, ao entrar em qualquer lugar, eu me dirigia para o bar. Agora, sem beber, o que fazer? Pela simples razão de estar seguindo meu amigo, acabei no bar de qualquer forma, e comprei uma água porque, mesmo que não fosse uma lata de cerveja, as mãos reclamavam a falta de algo para segurar. No balcão do bar meu amigo puxa conversa com a primeira que está do nosso lado e me apresenta. Eu só consigo imaginar um motivo para um homem bêbado começar uma conversa com uma mulher e apresentá-la a você. Quando ela se virou e me disse “oi”, vi que tinha acertado: ela era feia, bem feia. Uma senhora em torno dos seus 50 anos, cujas marcas no rosto faziam crer que eram bem vividos. Com toda a simpatia eu Deus me deu, conversei amenidades com ela enquanto pegava minha água. Ela gostou do papo e parecia disposta a continuá-lo pelo tempo que fosse preciso, quando lembrei do Leão da Montanha e gentilmente armei minha saída pela esquerda:</p>
<p>- Muito bom conhecer a senhora, desculpa, você, ma tenho que levar essa água aqui para minha namorada, tá?</p>
<p>Ela fez uma cara de muxoxo quando ouviu “namorada” e eu me surpreendi por ao menos uma vez usar o “tenho namorado” que milhares de vezes ouvi de mulheres por todo o Brasil. É aí que chega meu amigo e complica (afinal, para que servem os amigos?):</p>
<p>- Namorada? Que namorada?</p>
<p>A simpática senhora me olha com uma cara de quem caba de pegar alguém no pulo.</p>
<p>- É, bom, não é bem namorada, é mais ficante, tomara que ela não ouça que a chamei de namorada, senão vai querer oficializar&#8230;</p>
<p>E já fui saindo com sorriso amarelo, puxando meu amigo, que não parecia satisfeito:</p>
<p>- Que história é essa de namorada?</p>
<p>- Achei mais elegante isso do que “Olha tia, se tu fosse uma Vera Fischer, até que eu encarava, mas não é, então desculpa”.</p>
<p>Ele ficou resmungando que eu tinha jogado fora um ótima oportunidade, que ele tinha feito um favorzão para mim, e nos embrenhamos no meio da multidão.</p>
<p>(continua)</p>
Posted in Boêmio, Cronista, Sábado Sóbrio  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gorniak.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gorniak.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gorniak.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gorniak.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gorniak.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gorniak.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gorniak.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gorniak.wordpress.com/264/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gorniak.wordpress.com/264/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gorniak.wordpress.com/264/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=264&subd=gorniak&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O sábado à noite é dos bêbados – parte 1</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 01:29:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boêmio]]></category>
		<category><![CDATA[Cronista]]></category>
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		<description><![CDATA[Um belo sábado, liga um amigo meu todo choroso “Paulo, briguei feio com a minha namorada, quero sair, quero beber, vamo pra balada?”. Desde tempos imemoriais, parte pelo meu excessivo desapego aos relacionamentos, e parte pelo meu excessivo apego à noite, às mulheres e à bebida, transformei-me numa espécie de Disque-Afoga-Mágoas, onde qualquer pessoa com [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=262&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Um belo sábado, liga um amigo meu todo choroso “Paulo, briguei feio com a minha namorada, quero sair, quero beber, vamo pra balada?”. Desde tempos imemoriais, parte pelo meu excessivo desapego aos relacionamentos, e parte pelo meu excessivo apego à noite, às mulheres e à bebida, transformei-me numa espécie de Disque-Afoga-Mágoas, onde qualquer pessoa com qualquer tipo de desacerto amoroso encontraria um copo amigo e um ombro cheio, ou algo assim. Mas não naquele sábado. Por uma convergência de fatores tão rara quanto a passagem do cometa Halley nas cercanias da Terra, eu decidi que, durante tempo indeterminado, daria um tempo com a bebida e começaria a campanha Álcool Zero. Tentei explicar isso a ele, ma ele não conseguiu acreditar. Bares e churrascos e demais eventos sociais como aniversários e casamentos, oquei, eu tinha me saído bem, mas balada era forçar demais. Mas tanto ele fez, tanta chantagem emocional estilo “Poxa, sempre estive do seu lado, agora que preciso você nega fogo” ou “Quem te carregou aquela vez que você caiu de bêbado, hein? hein? E agora você me deixa na mão?” que não tive outra opção a não ser aceitar. “Mas com uma condição: só você vai beber. Eu vou continuar no Programa Álcool Zero”. Ele aceitou, mesmo porque não tinha outro jeito eu acompanha-lo. Na frente do lugar, o bom e velho esquenta nas barraquinhas apinhadas de garrafas dos mais diversos conteúdos etílicos e isopores forrados de cervejas meio-geladas, meio-mornas. Resisti bravamente aos constantes convites de “bebe só hoje por mim, amanhã você para de novo”, “toma só uma latinha”, “dá só um golinho desse vinho” e “uma tequilinha só vai”. Me contentei apenas com um energético, enquanto olhava aquela multidão e me amaldiçoava por ter topado e empreitada. Comecei a achar que o sábado a noite é dos bêbados e de ninguém mais.Tentei dar meia volta e ir embora antes que fosse tarde demais, mas meu amigo, que já estava bastante ébrio depois de cervejas e vinhos e tequilas, me empurrou para dentro da casa noturna. Bom, seja o que Deus quiser, aquela seria a minha provação.</p>
<p>(continua)</p>
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		<title>Goiânia &#8211; 1a parte</title>
		<link>http://gorniak.wordpress.com/2009/08/30/goiania-1a-parte/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 01:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gorniak</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cronista]]></category>
		<category><![CDATA[Goiânia]]></category>
		<category><![CDATA[Turista]]></category>

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		<description><![CDATA[No começo da viagem é tudo festa, todo mundo de pé no corredor do ônibus puxando papo, esvaziando copos, fazendo amizades, distribuindo sorrisos e tapinhas nas costas. Mas havia o consenso silencioso de que não tinha mulher para todos e muitos teriam que viajar sozinhos, sonhando com as goianas, ou seja, a tensão estava no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=259&subd=gorniak&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>No começo da viagem é tudo festa, todo mundo de pé no corredor do ônibus puxando papo, esvaziando copos, fazendo amizades, distribuindo sorrisos e tapinhas nas costas. Mas havia o consenso silencioso de que não tinha mulher para todos e muitos teriam que viajar sozinhos, sonhando com as goianas, ou seja, a tensão estava no ar. Tal qual uma dança das cadeiras esperando acabar a música, todos os homens se olham meio que de soslaio, apesar dos cumprimentos e conversinhas amigáveis. Visando garantir uma pequena para chamar de minha, lembrei de uma lição valiosíssima que aprendi em marketing: esteja na cabeça do consumidor (o famoso share of mind), sendo nós os produtos concorrentes e as elas, as consumidoras. Mais que rapidamente lancei mão daquelas oito ou dez piadas manjadas, já testadas e aprovadas à exaustão em outros grupos, para todo o público feminino do ônibus. Somadas à farta distribuição de vodca e cerveja e outros itens de elevado teor alcoólico, elas garantiram sorrisos largos e simpatia sincera de todas as seis mulheres solteiras e disponíveis. Reconheço que um sobrenome estranho como Gorniak, que inevitavelmente gerou mais piadas prontas, testadas e aprovadas, facilitou o esforço de ser lembrado. O fato é que conforme o ônibus seguia seu caminho eu me sentia mais confiante. Sentei estrategicamente perto dos bancos de quatro meninas, de forma que eu poderia conversar facilmente com mais da metade do meu mercado consumidor. Tacada de gênio, certo? Errado. Como não fui só eu que tive essa brilhante idéia, 80% dos homens fizeram a mesma coisa, e o corredor do lado do meu banco ficou intransitável. As meninas acabaram por, pouco a pouco, levantar e buscar lugares menos muvucados, com a desculpa de ir ao banheiro ou pegar uma cerveja ou fumar lá na frente. Quando me vi, estávamos eu e outros tantos machos abandonados numa discussão acalorada sobre futebol. Foco, Paulo, foco, foi meu pensamento e levantei rapidamente, buscando ao menos uma das Seis Supremas para fazer graça. Achei uma cuja amiga tinha ido fumar e ela estava providencialmente na poltrona da janela.  Mais do que rapidamente, contando piadas e rindo e brincando, eu sentei no banco do corredor, fechando-lhe a passagem e qualquer perspectiva de fuga. Quando a amiga voltou me viu ali e nem reclamou, sentou na fileira da frente. Soltei um “yes!” mental: não sairia dali por nada, era só uma questão de tempo até ela cair nas minhas graças. De tempo e de vodca, que eu habilmente roubei uma garrafa e acomodei conosco. Bebida vai, gracinha vem, acabou que enfim consegui uma companhia para a ida e a certa altura, depois de toda a energia dispendida na conquista, dormi feliz.</p>
<p>Sei lá quanto tempo depois o ônibus parou, já eram oito e meia da manhã todos estavam descendo pra tomar café. Acordei todo pimpão pra falar bom dia para minha linda e tomei um puta susto. Caceta, trocaram de mulher do meu lado enquanto eu dormia!Ela não podia ser a mesma que eu tinha beijado horas antes. Nada contra ficar com mulher feia, que que é isso, alguém com um passado como o meu não nega tal coisa, mas é que eu jurava que a menina que eu tava xavecando durante boa parte da viagem era bonita, de verdade. Como é que eu pude errar assim? Só sei que localizei meu amigo tomando café numa mesa e já fui tirar satisfação:</p>
<p>- Meu, a menina que eu fiquei ontem era tão feia assim ontem ou algo aconteceu na madrugada?</p>
<p>- Ela não era feia.</p>
<p>- ao? Olha ela vindo aí.</p>
<p>Ela e a amiga passaram, eu cumprimentei e olhei pra ele, que estava completamente abismado.</p>
<p>- Eu sinceramente achei ela bonita ontem&#8230;</p>
<p>- Pra você ver, eu também. Sorte sua que você não pegou. Agora me faz um favor, senta do meu lado no ônibus ta? Passado o efeito da vodca, não vou conseguir mais encarar.</p>
<p>E assim foi. Voltamos ao ônibus, ele sentou do meu lado, eu fingi dormir quando ela entrou e acabei dormindo mesmo até chegarmos a Goiânia.</p>
<p>(continua)</p>
Posted in Cronista, Goiânia, Turista  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/gorniak.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/gorniak.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/gorniak.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/gorniak.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/gorniak.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/gorniak.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/gorniak.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/gorniak.wordpress.com/259/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/gorniak.wordpress.com/259/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/gorniak.wordpress.com/259/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=gorniak.wordpress.com&blog=3542332&post=259&subd=gorniak&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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